Quarta-feira, 6 de Maio de 2009

Hipocondria, a Doença de Todas as Doenças

 

Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão.
 
Todos conhecemos alguém que está sempre a falar em doenças ou que sente que está sempre doente ou ainda que acha que sabe tudo de medicamentos ou até mesmo alguém que se acha mais médico do que os médicos.
A hipocondria começa com um enorme medo da morte e é uma das doenças mais delicadas do mundo contemporâneo. Nesta perturbação psicológica, o indivíduo, embora saudável, está convencido, de forma obsessiva, que tem uma doença grave
Vimos, numa das nossas últimas reflexões, que a resposta ansiosa é uma resposta normal, funcional e até adaptativa. Lembremo-nos de que ansiedade ocorre sempre que o nosso cérebro interpreta uma situação como ameaçadora. É a resposta ansiosa que mobiliza para a acção, logo é a ansiedade que desencadeia as respostas emocionais, como o medo ou a raiva, fazendo-nos agir perante a ameaça.
A hipocondria é uma doença ligada à interpretação errónea de estímulos considerados ameaçadores para o indivíduo. Trata-se de uma perturbação em que o indivíduo, embora saudável, está preocupado, tem medo ou está convencido, de forma angustiante e obsessiva que tem uma doença grave, tendo por base uma interpretação errada de sintomas físicos.
Enquanto doença, a hipocondria tem critérios de diagnóstico bem definidos. O hipocondríaco é aquele que manifesta uma preocupação com o medo de ter, ou crença de que tem, uma doença grave. Esta preocupação persiste por um período superior a meio ano, apesar de adequada avaliação e tranquilização médicas, e não é explicada por outras doenças psicológicas.
Também já aqui dissemos que o limiar entre o normal e o patológico é uma fronteira muito ténue. É por isso que, lá por ter alguns destes sintomas associados à hipocondria, não significa que se seja hipocondríaco. Apenas quando aqueles sintomas interferem de tal forma no quotidiano do indivíduo, que afectam o seu bem-estar, é que podemos falar em doença.
Habitualmente estes doentes consultam o médico por outros motivos que não a hipocondria. Na maior parte das vezes, para fazer análises e exames que sirvam de tranquilizadores. Mas, nestes casos, quando os exames indicam que a pessoa não sofre de nenhuma doença, a culpa é sempre do técnico ou da máquina, não servindo para tranquilização e chegando mesmo a conduzir a novas visitas ao médico para tentar desconfirmar os resultados.
Outro dos motivos que levam os hipocondríacos ao médico são os ataques de pânico, ou seja, picos de ansiedade associados à ideia de que se está prestes a morrer. Nestas situações, o mais habitual até é mesmo o doente levar um sermão do médico, porque fica a sensação de que veio a um serviço de urgência sem ter qualquer doença, muitas vezes por falta de reconhecimento do problema ou mesmo pela interpretação errada dos sintomas.
Calcula-se que a prevalência da hipocondria nas consultas de clínica geral se situe entre os quatro e os nove por cento, sendo que pode surgir em qualquer idade, mas o seu aparecimento é mais frequente no início da idade adulta. A evolução da doença é geralmente crónica, com sintomas flutuantes, registando-se algumas vezes remissão completa.
Embora não exista tratamento farmacológico específico para a perturbação de hipocondria, na maior parte das vezes o recurso a psico-fármacos aliado à terapia psicológica ajude a ultrapassar a doença.
 
Até para a semana. Directo à Questão.
 
publicado por Ricardo às 11:21
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