Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

Água, Um Bem Essencial à Humanidade

 

Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão.
 
A água é um recurso natural essencial à vida! Quem o lembra é uma das nossas ouvintes numa carta que simpaticamente me fez chegar, lembrando a importância da poupança da água para a preservação da vida no nosso Planeta. E a nossa ouvinte não podia ter mais razão. Nenhum outro elemento da Natureza parece ter um papel tão determinante para a existência de vida como a água. O que nos diz a Biologia é que existem múltiplas formas de vida que conseguem viver na ausência de oxigénio, como as bactérias e as leveduras, mas o que é um facto é que nenhum organismo consegue viver na ausência de água.
No entanto, muitas vezes nos esquecemos que a água, apesar de vital para a sobrevivência de todos os seres vivos, constitui um recurso esgotável. Muitas vezes nos esquecemos que apenas 2,5% da água disponível no nosso planeta pode ser usada para consumo. Muitas vezes nos esquecemos que morrem 4.500 crianças por dia por falta de água potável em todo o mundo.
Num relatório da Organização das Nações Unidas de Março de 2000 sobre a situação da Humanidade face à crescente falta de água, os números não podiam dar mais que pensar: metade da Humanidade – cerca de 3 mil milhões de seres humanos – não tem acesso a água potável. Tudo indica que, a este ritmo, daqui a 50 anos, quando se espera que existam mais de 8 mil milhões de seres humanos a habitar o planeta, a situação se agrave terrivelmente se não houver uma mudança de tendência.
A resposta da ONU é clara. Urge encarar esta realidade com estratégias integradas para, concertadamente, no espaço de uma geração, eliminar o problema. É ponto assente que nos próximos 15 anos é necessário reduzir os 3 mil milhões de seres humanos carentes de água para metade, o que implica uma enorme coordenação e capacidade de partilha de bens vitais desigualmente distribuídos. Basicamente, implica um estratégia planetária que ao mesmo tempo se possa ramificar país a país, região a região, para que, com a maior disciplina, com um grande sentido de civismo e com enorme sentido de partilha de toda a Humanidade perante este problema, seja possível inverter esta evolução verdadeiramente suicida, que põe em risco a própria sustentabilidade da vida no nosso Planeta. No século XXI, o direito à vida para todos deverá constituir uma das grandes batalhas políticas e sociais, tal como o foi no século XX o direito de voto para todos.
Tal como acontece um pouco por toda a Europa, também Portugal continua a gerir mal este valioso recurso. Alexandra Leitão lembra-nos, na Revista Ozono de Dezembro de 2001, que o nosso país, apesar de ser uma das nações da União Europeia com maiores disponibilidades hídricas per capita, continua a apresentar índices de abastecimento público de água abaixo da média europeia e nítidas insuficiências em infra-estruturas hidráulicas. Conhecida que é a interligação entre as descargas dos esgotos e a qualidade da água, Portugal continua a não conseguir servir a totalidade da sua população em matéria de abastecimento de água e saneamento das águas residuais domésticas. Apenas 90% da população tem água ao domicílio e só 55% da população está abrangida pelo tratamento de esgotos, o que torna Portugal um dos mais atrasados da União Europeia. A situação agrava-se com a aplicação, anualmente, na nossa precária agricultura de cerca de 23 mil toneladas de pesticidas que colocam Portugal em 5º lugar no ranking mundial em termos de consumo de pesticidas por unidade de área, que acabam por atingir os rios e as bacias subterrâneas. Como se não fosse suficiente, também as muitas captações de água, feitas sem obedecer a quaisquer preceitos de ordem científica, vão deteriorando os aquíferos subterrâneos.
O desígnio ambiental deve ser encarado como um bem comum. É um dever de cidadania contribuir para a sua preservação de forma a respeitar o mundo que as futuras gerações nos emprestaram. Não esqueçamos nunca que o ambiente de amanhã depende do nosso comportamento de hoje.
 
Até para a semana. Directo à Questão.
publicado por Ricardo às 18:09
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