Quarta-feira, 28 de Maio de 2008

Entre o Normal e o Patológico (I): A Ansiedade Enquanto Reacção Adaptativa

 

Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão.
Nas nossas próximas reflexões tentaremos perceber melhor algumas das perturbações psicológicas mais comuns e com as quais somos bombardeados diariamente nos vários órgãos de comunicação social. Ansiedade, depressão, anorexia, bulimia: são expressões que nos habituámos a ouvir no senso comum e que representam complicações do foro psíquico mais ou menos complexas. Propomo-nos aqui a analisar algumas destas doenças de uma forma o mais pedagógica possível, tentando perceber as suas principais causas e consequências e deixando algumas recomendações para todos os que com elas convivem com maior ou menor proximidade.
Hoje tentaremos perceber melhor como funciona a ansiedade. Muitas vezes falamos em nervosismo, ânsias, medos, fobias. Afinal, o que significa a resposta ansiosa e porque é que surgem os distúrbios ansiosos?
Antes de mais, gostaria de tentar transmitir uma ideia que considero chave para uma melhor compreensão desta questão. A ideia de que a distinção entre aquilo que consideramos normal e aquilo que entendemos como patológico ou clínico é uma distinção difusa. O limiar entre o normal e o patológico é muito ténue. Adoptando uma perspectiva simplificadora, podemos afirmar que o mesmo comportamento deixa de ser normal e passa a ser patológico quando interfere no quotidiano do indivíduo, ou seja, quando afecta o seu bem-estar diário a um nível significativo.
Afinal de contas, todos nós sofremos de ansiedade. Todos nós temos os nossos medos e fobias. Mais: a resposta ansiosa é uma resposta normal, funcional e até adaptativa. Senão vejamos: a ansiedade ocorre sempre que o nosso cérebro interpreta uma situação como ameaçadora. Na natureza, face a um predador, a presa tem basicamente duas hipóteses: age (lutando ou fugindo) ou pára (o chamado “freeze”). Se não existisse este mecanismo natural de sobrevivência e adaptação ao meio, resultado de um sistema evolucionário que nos conduz aos primórdios do ser humano, o mais certo era o predador vencer sempre. E nós sabemos bem que tal não acontece, muito pelo contrário. É esta componente mobilizadora da ansiedade que importa sublinhar, ou seja, a ideia de que a resposta ansiosa mobiliza para a acção, contribuindo para a sobrevivência da espécie.
Ao contrário dos nossos antepassados, hoje as nossas principais ameaças não são leões nem tigres sedentos de uma boa refeição. Mas não deixamos se ser expostos diariamente a situações que facilmente interpretamos como ameaçadoras e, portanto, desencadeadoras de ansiedade. Pode ser um exame na escola, um novo colega de trabalho, uma conta para pagar, uma tragédia vivida por um familiar, enfim, todas aquelas situações que, habitualmente, dizemos que contribuem para o nosso “stress”, essa expressão que se vulgarizou e que, no fundo, pode ser um pouco de tudo.
Perante a exposição a uma situação dita “stressante”, temos pois que o nosso organismo desencadeia, naturalmente, um conjunto de sintomas associados à resposta ansiosa. Assim, a sintomatologia associada à ansiedade pode manifestar-se sob a forma motora (por exemplo, contracção muscular; postura tensa), sob a forma vegetativa (por exemplo, taquicardia; rubor facial), sob a forma emocional (são todas aquelas emoções associadas, como o medo ou a raiva) ou ainda sob a forma cognitiva (através de pensamentos antecipatórios, como “Não vou conseguir fazer nada”, “Não sou capaz de resolver isto” ou “Sou um falhado”).
Este tipo de pensamentos, são, basicamente, a causa dos distúrbios ansiosos, uma vez que resultam de interpretações erradas da realidade. É que o nosso cérebro funciona como um computador, numa lógica de processamento de informação. Simplificando, podemos afirmar que as doenças psicológicas resultam de enviesamentos ou erros no processamento dessa informação que captamos no meio. Se eu considerar que sou incompetente ou incapaz de lidar com a situação que provoca ansiedade, significa que estou a efectuar uma avaliação errada da situação, o que, em vez de contribuir para uma resolução rápida e eficiente do problema, tende a aumentar ainda mais a minha ansiedade. E a melhor forma de evitar que estes pensamentos - que resultam de erros de processamento - interfiram no desempenho do indivíduo, é tentar racionalizá-los, ou seja, tentar perceber que não contribuem para a diminuição da ansiedade (muito pelo contrário), e substitui-los por pensamentos alternativos mais funcionais, tais como “Sou capaz”, “Vou conseguir”.
Até para a semana. Directo à Questão.
publicado por Ricardo às 16:09
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Segunda-feira, 26 de Maio de 2008

Algumas Notas Sobre o Novo Acordo Ortográfico

 

Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão. 
Um Manifesto com cerca de 20 mil assinaturas contra o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa foi recentemente entregue ao Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama. Naquele documento são denunciadas «inúmeras imprecisões, erros e ambiguidades» na anunciada reforma ortográfica, que os signatários consideram ser «mal concebida», «desconchavada», «sem critério de rigor», «desnecessária» e «perniciosa», além de ter «custos financeiros não calculados». «Recusamos – lê-se no Manifesto –, deixar-nos enredar em jogos de interesses, que nada leva a crer de proveito para a língua portuguesa. Para o desenvolvimento civilizacional por que os nossos povos anseiam é imperativa a formação de ampla base cultural (e não apenas a erradicação do analfabetismo), solidamente assente na herança que nos coube e construída segundo as linhas mestras do pensamento científico e dos valores da cidadania».
O Acordo Ortográfico que hoje se debate não é novo. Longe disso. A referida reforma ortográfica deveria ter entrado em vigor em 1994, mas apenas três dos Estados membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa - Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe - aprovaram quer o Acordo quer os dois protocolos modificativos entretanto estabelecidos entre os países membros daquela Comunidade.
Fui várias vezes durante os últimos tempos desafiado para dedicar uma das nossas reflexões a este tema. Todos quantos me desafiaram mostraram-se particularmente críticos relativamente às linhas mestras do novo Acordo, gizando este ou aquele argumento mais ou menos patriótico, mais ou menos técnico, mais ou menos subjectivo. A todos respondi que, embora não concorde globalmente com as alterações introduzidas e considere que se trata, em larga medida, de uma submissão a interesses económicos a vários níveis, não considero que seja propriamente negativo este esforço de uniformização linguística e de preocupação com a promoção da lusofonia. Também afirmei sempre que, embora não concorde com o argumento de que o Brasil tem muitos falantes e que, por isso, sem uma aprovação do Acordo, correremos o risco de ficarmos isolados relativamente ao mundo, não deixo de reconhecer o peso da chamada “língua brasileira” no mundo e que o difícil é mesmo mudar. Portanto, em última análise, não me choca particularmente passar a escrever o título deste espaço, “Directo ao Assunto”, sem o “c” na palavra “directo”. Trata-se, afinal de contas, de um processo natural de adaptação a um novo conjunto de regras resultantes de um normal processo de evolução de uma Língua dita viva.
No entanto, algumas dúvidas bastante pertinentes foram surgindo entretanto. Até que ponto não devemos considerar como particularmente relevante e oportuna a crítica do escritor Vasco Graça Moura quando afirma que a aplicação do Acordo poderá conduzir a um verdadeiro caos no ensino nos oito países? Até que ponto todo o processo de adaptação e mudança não pode conduzir a distorções perniciosas, que releguem para segundo plano as origens clássicas da nossa língua? Até que ponto não será, de facto, mais razoável considerar a legitimidade das diferenças entre as grafias dos diferentes países envolvidos, integrando essa variabilidade - que é, afinal de contas, acima de tudo, cultural – em cada um dos dicionários e vocabulários já existentes?
Mas só decidi verdadeiramente que deveria expor publicamente a minha opinião sobre esta questão quando tive a oportunidade de ser confrontado com as palavras de Fernando Pessoa, quando, no longínquo ano de 1911, portanto há um século atrás, comentou o primeiro Acordo Ortográfico. As palavras falam por si e é com elas que vos deixo esta semana. Disse então o imortal Pessoa: “A linguagem falada é popular, directa e democrática, enquanto a linguagem escrita é aristocrática e racional. Por isso, a perda desta intelecção subjacente à escrita faz-me pensar que estamos a apagar memória e propagar ignorância e facilitismo”.
Até para a semana. Directo à Questão.
publicado por Ricardo às 20:52
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Quarta-feira, 14 de Maio de 2008

Jogos Olímpicos: O Espelho de um Mundo

 

Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão.
Os Jogos Olímpicos constituíram desde sempre, ao longo da história, um espelho do clima político e social à escala mundial. Apesar de serem ancorados, desde os tempos da Grécia Antiga, num espírito pacificador – através da famosa “trégua olímpica” – muitas foram as vezes que este propósito subjacente à dinâmica dos Jogos não se concretizou. Por exemplo, nas duas Grandes Guerras Mundiais os Jogos Olímpicos não se realizaram. Em contrapartida, noutras ocasiões, conseguiram ser mesmo desencadeadores de guerras. Em 1972, membros da equipa israelita foram feitos reféns por uma equipa de comandos palestinianos extremistas, provocando uma série de mortos, naquele que haveria de ficar para a história como o Massacre de Munique. Já em 1936, Hitler serviu-se dos Jogos para tentar mostrar a superioridade da raça ariana e recusou-se a entregar a medalha de ouro ao atleta Jesse Owens.
Também a mensagem Humanista, baluarte do espírito olímpico, muitas vezes deixou de ser cumprida. Constituem exemplos os famosos boicotes aos Jogos de 1980 e 1984, durante a Guerra Fria, pelo bloco de países soviéticos e pelos Estados Unidos, respectivamente, e ainda mais recentemente, o violento atentado à bomba ocorrido em Atlanta nos Jogos de 1996.
Temos pois que, dada a importância e a visibilidade dos Jogos Olímpicos à escala mundial, vem vindo a assistir-se a uma subversão dos princípios que norteiam este acontecimento, tendo os Jogos sido frequentemente usados enquanto palco privilegiado para a expressão mais ou menos directa de confrontos políticos e reivindicações sociais. Não é, portanto, surpreendente a recente polémica em torno de um eventual boicote aos Jogos Olímpicos de Pequim, no próximo Verão.
Nesta questão, há um facto inquestionável. À luz dos princípios de Direito Internacional, a ocupação do Tibete pelo Estado Chinês é uma ocupação ilegítima e contrária a todos esses princípios que esse tal Estado Chinês diz respeitar. E o outro estado, o estado a que a situação chegou actualmente, é o resultado de anos e anos de uma enorme repressão religiosa, económica e política por parte da China.
Muito para além do caso tibetano, esta posição repressora da China tem claramente contribuído para as dramáticas situações vividas nos territórios do Darfur e da Birmânia. E mais, a China é o maior protector diplomático da Kartum e Rangoon, e o maior consumidor do petróleo produzido no Sudão.
Os Jogos Olímpicos têm ainda posto a nu todos os problemas ligados à protecção dos Direitos Humanos na China, nomeadamente quando nos chegam notícias de uma verdadeira limpeza nas ruas de Pequim, de mendigos, prostitutas e outras formas visíveis de pobreza.
Contudo, parece-me que um boicote às Olimpíadas não constitui, de forma alguma, a melhor resposta no contexto actual. São particularmente evidentes os prejuízos para os atletas, que se prepararam anos a fio para o maior evento desportivo à escala mundial e vêem assim goradas as expectativas de sucesso alimentadas durante os últimos tempos. Em meu entender, apenas uma combinação entre medidas de repressão sobre a China e diálogo diplomático com Pequim poderá produzir resultados valorosos.
O poder actual da China na economia à escala mundial não pode ser ignorado. A realização dos Jogos Olímpicos do próximo Verão, mais do que uma ameaça, deverá constituir uma oportunidade para o povo chinês provar a sua capacidade de organização e a sua influência no Mundo. Não pode é de maneira alguma servir para mascarar as evidentes desigualdades sociais do país e afirmar o poder do Estado Chinês por via da força e da repressão sobre os mais fracos.
Os tibetanos encontraram, naturalmente, nos Jogos Olímpicos, uma janela de oportunidade para fazerem ouvir a sua mensagem. Neste contexto, o Dalai Lama encara hoje o seu maior desafio desde o exílio, há 49 anos. Será que a sua mensagem de paz trará definitivamente a liberdade ao seu povo? Uma coisa é certa. A mensagem passou e, independentemente do desfecho final desta História, o Tibete pode pelo menos congratular-se com uma maior abertura e sensibilização da comunidade internacional para um grave problema de violação dos Direitos Humanos.
Até para a semana. Directo à Questão.
publicado por Ricardo às 10:56
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Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

Sobre as Decisões de Carreira (II)

Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão.

Na última semana tentámos perceber o que é que valorizam os nossos alunos no momento da escolha de carreira. O que é que norteia a decisão dos alunos no momento da escolha por este ou aquele curso, por esta ou aquela universidade ou instituto. E deixámos a nossa reflexão precisamente na distinção entre dois conceitos muito associados à escolha de carreira. Os conceitos de interesse e de vocação. Analisemos então estes dois termos.

Os interesses profissionais podem ser entendidos enquanto tendências disposicionais para a acção. São “aquilo que eu gosto de fazer” ou “aquilo que eu quero fazer no futuro”. Contudo, confinar a decisão de carreira aos interesses por uma determinada área de actividade baseia-se na assumpção errónea de que o interesse intrínseco numa actividade é a fonte primária de satisfação em qualquer ocupação. É de fácil constatação que essa fonte pode estar mais relacionada com os valores do que com os interesses profissionais, isto é, uma boa escolha pode ter mais a ver com o que cada aluno valoriza no desempenho de determinada profissão do que com o que efectivamente gosta de fazer. Valores como o nível de empregabilidade associado a determinada área de formação, o estatuto adquirido pelo desempenho de uma dada ocupação ou a remuneração auferida em certos cargos profissionais tomam, não raras vezes, precedência sobre outros critérios no manancial da escolha de uma carreira.

O segundo conceito que gostaríamos de trazer a discussão é o conceito de “vocação”, um vocábulo particularmente em desuso, sendo habitualmente substituído pelo termo “carreira”. A noção de “vocação” surge antes da Revolução Industrial e está associada à ausência de especialização de funções, onde a escolha é determinada por um processo de transmissão geracional. A vocação pode ser, portanto, entendida como uma espécie de chamamento. Já o termo “carreira” está relacionado com a concepção do trabalho segundo sequências temporais de organização administrativa e remete para a ideia de uma certa estabilidade (ou seja, a carreira vai-se construindo ao longo da vida). Actualmente, com todos os constrangimentos económicos e sociais, nem podemos falar em escolha por vocação, nem na criação de uma carreira.

Assim, mais importante do que tomar decisões certas, é tornar certas as decisões. De forma a que sejam cada vez menos irreflectidas e arbitrárias. E tal só é possível por via da exploração de informação de carreira. Para evitar que os alunos continuem a decidir no último dia, quando têm os impressos de candidatura nas mãos, qual o destino que colocam como primeira opção, revela-se fundamental a informação actualizada e diversificada sobre cursos e instituições. Apenas a tomada de contacto com material informativo que permita a aquisição de uma grelha pessoal de conhecimentos sobre a diversidade de cursos existentes, evita as decisões por impulso, irracionais e irreflectidas, infelizmente tão comuns.

Quando a empregabilidade do curso é, compreensivelmente, no contexto actual de turbulência do mercado de trabalho e da própria sociedade, um dos aspectos mais valorizados pelos alunos no processo de escolha, a informação fornecida pelas instituições deve incluir dados sobre a inclusão no mercado de trabalho dos recém-licenciados dos diferentes cursos, quer em termos de tempo de espera para o primeiro emprego, quer em termos de instituições empregadoras, condições de trabalho e até de remunerações auferidas. Só recentemente é que o Ministério da Educação começou a manifestar preocupação na divulgação deste tipo de dados, mormente através da indicação de quais os cursos com maior nível de desemprego. Contudo, só poderemos avaliar o impacto deste tipo de iniciativas no processo individual de tomada de decisão num período de médio-longo prazo.

            Para todos os alunos do 12.º ano que se encontram, neste momento, indecisos quanto à escolha a efectuar e, por isso, nervosos por antecipação de uma eventual decisão menos boa, deixo duas notas. A primeira para referir que essa ansiedade que possam sentir à medida que se vai aproximando o momento da decisão é natural e adaptativa. Significa que têm maturidade suficiente para perceberem que se trata de uma decisão que condiciona todas as seguintes e que não deve ser, por isso, tomada de ânimo leve. A segunda nota para aconselhar cada um dos decisores a não se deixar abater por essa ansiedade, tentando resolve-la através do acesso à maior quantidade possível de informação de carreira disponível sobre os diferentes cursos e instituições de ensino. De tal forma que a decisão possa ser tudo menos irreflectida ou espontânea e possa antes ser devidamente fundada em argumentos sólidos, mais ou menos subjectivos. Porque a informação é a base para qualquer decisão.

Até para a semana. Directo à Questão.
publicado por Ricardo às 12:12
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