Quinta-feira, 26 de Junho de 2008

A Cobertura do Euro 2008 em Portugal: É disto que o meu povo gosta?

 

Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão.
Por terras de Áustria e Suíça, o Europeu de Futebol atinge por estes dias o momento das grandes decisões. Não vou discutir aqui a qualidade futebolística do evento, a justeza dos semifinalistas ou o desempenho da Selecção Nacional. Gostaria, antes, de analisar a cobertura jornalística do Euro 2008 em Portugal e toda a sua envolvente, desde a convocatória de Scolari até aos festejos da última vitória lusa, passando pela apoteótica partida da Selecção para a Suíça.
Por altura dos primeiros desafios de Portugal no Europeu, tive a felicidade de me encontrar no Luxemburgo, esse pequeno país de menos de 500 mil habitantes, mas com uma comunidade portuguesa particularmente significativa, na ordem dos 20%, ou seja, com mais de 100 mil portugueses. Não é, portanto, de estranhar que, num país como o Luxemburgo, cada vitória lusa no Europeu tenha sido festejada pelas ruas como se de Portugal se tratasse. Foi assim no Luxemburgo. Foi assim na Suíça. Foi assim na França. Enfim, as bandeiras e os cachecóis saíram à rua onde existia um português.
Não é isso que é criticável. Muito pelo contrário. Não se pode dizer que não seja propriamente um excesso festejar uma simples vitória na fase de grupos como se de um título se tratasse. Como se alguma coisa estivesse ganha! Mas há que compreender que esta reacção dos portugueses tem muito a ver com a nossa cultura, com a nossa forma particularmente expressiva de manifestação das emoções, enfim, com o nosso “sangue latino”. A efusividade dos festejos tem ainda, em meu entender, mais dois responsáveis. O seleccionador nacional, Luís Felipe Scolari, com a sua enorme capacidade de mobilização e de liderança, e o próprio momento de crise que o país atravessa, o que faz das vitórias desportivas um dos poucos motivos de alegria nos últimos tempos. Basta constatar que, em pleno período da greve dos camionistas, esgotadas que estavam as gasolineiras e as prateleiras dos supermercados, foi ver as ruas completamente desertas enquanto Portugal defrontava a República Checa. E foi ver a festa que se seguiu à vitória por 3-1, como se nada mais existisse, num país a meio-gás, suspenso nas mãos de um grupo de profissionais que, subitamente, descobriu um poder implícito que, porventura, não julgava seu.
Mas insisto. Não são os festejos que são propriamente censuráveis. É o facto de eles serem, de alguma forma, fomentados pela cobertura jornalística do Euro no nosso país, sobretudo pelos canais de televisão generalistas (embora alguns jornais não fiquem atrás). É assim desde o dia da convocatória de Scolari. E creio que teve o seu pico na data da partida da Seleccção para a Suíça. Naquela agradável tarde de domingo, todas as estações generalistas – RTP, SIC e TVI – fizeram emissões especiais de longas horas para acompanhar o percurso da equipa nacional até Neuchatelle. Desde então, não falha um dia em que não dediquem pelo menos meia hora de telejornal a discutir o “sexo dos anjos” relativamente à Selecção. Pergunta-se na rua a um transeunte de cachecol das quinas desejoso por aparecer na televisão qual o resultado do próximo jogo e adivinha-se que a resposta não pode ser menos que 5-0 para Portugal. Fazem-se extensas reportagens a partir da Suíça a falar das previsões meteorológicas para a hora do jogo.
Será assim nos outros países? Vejamos. Na Alemanha, já não basta a frieza de um Podolski a festejar um golo, se analisarmos o alinhamento do noticiário facilmente verificamos que as notícias da selecção alemã são dadas de uma forma pouco efusiva (mesmo que a equipa tenha ganho o último jogo) e apenas a meio do jornal. Mas se tal na Alemanha até pode ser considerado normal, olhemos para um noticiário francês. Já conhecemos a forma egocêntrica como os franceses olham para os outros países em qualquer que seja o contexto. Já conhecemos também a forma efusiva como os franceses vibram com os resultados da sua selecção de futebol. Contudo, se assistirmos ao telejornal em França constatamos, desde logo, que não existe uma única ponta de sensacionalismo na forma como as notícias são apresentadas. A locutora é monocórdica. O ecrã é vazio de conteúdos (basta verificar que a imagem que surge é apenas a da apresentadora num fundo clássico e comparar com todo o colorido de gráficos e texto que vemos em qualquer noticiário em Portugal). E as notícias do Euro ocupam um período significativo do programa, mas são calmamente apresentadas perto do final do noticiário. Experimentemos comparar, uma vez mais, com Portugal. Basta constatar que as notícias do Euro são quase sempre tema de abertura e ocupam, muitas vezes, mais de metade da emissão.
Não que seja proibido vibrar com as fintas do Ronaldo ou discutir as opções tácticas do Scolari. Para mim, o futebol é será sempre uma arte. É essa magia de um grande passe, de uma primorosa finta, de um monumental golo, que faz do futebol o desporto-rei. Mas é inconcebível reduzir o futebol ao populismo, “encher chouriços” à custa da Selecção e apresentar as notícias do Euro como se fossemos todos um conjunto de atrasados mentais. Portugal merece mais. Ou será que temos mesmo aquilo que merecemos?
Até para a semana. Directo à Questão.
publicado por Ricardo às 11:15
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Quinta-feira, 19 de Junho de 2008

A Irlanda e o Futuro do Tratado de Lisboa

 

Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão.
No passado dia 12 de Junho, o futuro da União Europeia esteve nas mãos dos Irlandeses. Nas mãos de pouco mais de 3 milhões de cidadãos, o equivalente a menos de um terço da população portuguesa e a menos de 1% da população europeia. Pelo menos foi assim que a imprensa internacional se referiu à importância do referendo ao Tratado de Lisboa pela Irlanda.
Já alvo de ratificação parlamentar pela maioria dos países da União, o denominado Tratado Reformador Europeu, assinado em Lisboa pelos 27 Estados-membros, parecia ser – finalmente – a resposta possível (embora longe da ideal) para o impasse criado desde a rejeição de uma Constituição Europeia. Uma solução airosa, conciliadora, mas sofrível, conseguida sob a batuta da Presidência Portuguesa da União Europeia. Uma vitória de Portugal e de José Sócrates. Uma vitória da Europa.
Mas também um Documento fragmentado, inteligível e feito à medida dos interesses, cada vez menos conciliáveis e unificáveis, dos 27 estados que o assinaram. Resultado de intermináveis rondas negociais e de múltiplas cedências relativamente à proposta inicial de Constituição, o Tratado de Lisboa diz muito pouco a quem o tenta ler (confesso que tentei!). E por isso disse também muito pouco aos irlandeses, que decidiram ficar maioritariamente em casa no passado dia 12. Com uma taxa de abstenção na ordem dos 80% e uma vitória do “Não” com mais de 53% dos votos, os irlandeses demonstraram uma clara rejeição, não apenas ao Tratado de Lisboa, mas a todo o próprio processo de integração europeia. A Europa volta a estar em crise. Estará a construção europeia em cheque? Que ilações poderemos retirar do “Não” irlandês?
É verdade que o resultado de um qualquer processo eleitoral deste género é indissociável da realidade interna do país em que ocorre, sendo habitualmente aproveitado para transmitir uma mensagem (de reforço ou punição) relativamente ao desempenho governativo interno. Foi, de resto, em larga medida, o que sucedeu, por exemplo, no “Não” francês à Constituição Europeia. No entanto, não se pode dizer que estes resultados que nos chegam da Irlanda fossem inicialmente expectáveis. A Irlanda tem sido um dos países mais beneficiados com a integração no espaço europeu. Em várias sondagens de opinião à escala europeia, os irlandeses demonstravam ser dos cidadãos mais convictamente europeístas. Todos os partidos políticos da Irlanda, sem excepção, fizeram campanha eleitoral pelo “Sim”. Temos pois que, quando os dirigentes daquele país decidiram cumprir uma promessa eleitoral e optaram por referendar o Tratado, dificilmente estariam à espera destes resultados. Podiam alegar, como o fizeram outros países (entre os quais Portugal), que o Documento em causa está longe de ser uma Constituição e, que por isso, não se justifica o cumprimento da promessa de referendo. No entanto, não tenho dúvidas que, quer os dirigentes irlandeses, quer os responsáveis máximos da União Europeia, jamais acreditaram que fosse possível que os cidadãos da Irlanda dissessem “Não” ao Tratado de Lisboa. Mais, que fosse demonstrado um tamanho afastamento dos irlandeses relativamente à causa europeia.
Mas eu afirmo que os resultados não me surpreendem. Diria mesmo mais. Se o Governo Português decidisse referendar o Tratado de Lisboa por estas bandas – como, de resto, foi pressionado para fazer por diversos quadrantes políticos internos – os resultados correriam o risco de ser ainda piores. Antes de mais, face aos níveis de abstenção verificados em Portugal em anteriores referendos, está mais que provado que, como afirmou recentemente o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, o mecanismo referendário não tem revelado grande receptividade por parte dos portugueses. Se, mesmo em questões tão fracturantes como o aborto ou a regionalização, não conseguimos um nível de adesão superior a 50%, o que esperar de um referendo a uma matéria de interesse europeu?
É bem evidente o afastamento dos portugueses relativamente às questões europeias. As eleições para o Parlamento Europeu são sempre das menos concorridas e é nítido que o que se passa na Europa não está entre as principais preocupações lusas. Considero mesmo que a construção e integração europeias, em Portugal, como noutros países, pouco diz ao cidadão comum, existindo apenas uma certa “elite” que, efectivamente, acompanha de perto as questões da União. Em Portugal, como noutros países, é ainda bem evidente a progressiva desacreditação da classe política e consequente divórcio das ideologias político-partidárias. Assim se percebe como é que o “Não” ganha num referendo em que todos os partidos políticos apoiam o lado oposto da barricada.
Então e agora? Uns defendem o fim do Tratado de Lisboa. Outros pedem que o processo de ratificação prossiga nos países em que ainda não ocorreu. Outros ainda chegam mesmo a sugerir a exclusão temporária da Irlanda do processo de integração europeu. Qualquer que seja a decisão futura, a única certeza que fica é a de que a Europa vive nova situação de impasse, mergulhando uma vez mais numa crise que há bem pouco tempo julgava ultrapassada. Uma dor de cabeça enorme para a França, que no próximo mês assume a presidência da União, sucedendo à Eslovénia. Aguardemos, pois, as cenas dos próximos capítulos.
Até para a semana. Directo à Questão.
publicado por Ricardo às 09:33
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Entre o Normal e o Patológico (III): Os Distúrbios Alimentares e o Prazer do Controlo

 

Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão.
Continuamos hoje a reflectir sobre algumas das perturbações psicológicas mais comuns e com as quais somos bombardeados diariamente nos vários órgãos de comunicação social. Ansiedade, depressão, anorexia, bulimia: são expressões que nos habituámos a ouvir no senso comum e que representam complicações do foro psíquico mais ou menos complexas. Temos tentado analisar algumas destas doenças de uma forma o mais pedagógica possível, tentando perceber as suas principais causas e consequências e deixando algumas recomendações para todos os que com elas convivem com maior ou menor proximidade.
Depois da ansiedade e da depressão, focaremos hoje a nossa análise nos distúrbios alimentares.
A etiologia dos distúrbios alimentares é multideterminada, resultando de uma complexa interacção entre factores psicológicos, biológicos, familiares e socioculturais. Isoladamente, nenhum potencial factor etiológico é, per se, suficiente para explicar o aparecimento, desenvolvimento e manutenção de um distúrbio alimentar ou a variação entre os sujeitos com este tipo de condição. Assim, é necessário ter em conta a interacção entre os próprios factores e ainda a interacção entre eles e o processo desenvolvimental do sujeito.
Dados estatísticos actuais que nos chegam dos Estados Unidos da América mostram a importância que deve ser atribuída aos factores socioculturais na predisposição dos Distúrbios Alimentares. Segundo estudos recentes, 80% das jovens americanas encontram-se insatisfeitas com a sua aparência física, 42% querem ser mais magras e 82% têm medo de engordar. Os americanos gastam ainda, por ano, mais de 10 biliões de dólares em dietas ou produtos relacionados. 51% das raparigas americanas afirmam sentirem-se melhor consigo próprias quando estão a fazer uma dieta.
Existe claramente na sociedade ocidental um padrão social de prescrição de magreza enquanto ideal de beleza. Deste modo, a magreza aparece como sinónimo de beleza, de controlo e sucesso. No pólo oposto, não magreza acaba por ser sinónimo de desleixo e de falta de controlo. Este papel central que a beleza adquire no estereótipo de feminilidade conduz a várias crenças erróneas, de que são exemplos a ideia de que o sujeito só não é magro se não quiser, sendo possível alcançar o controlo pessoal com facilidade; ou ainda o estereótipo de que é mais feliz quem é magro (ser atraente é sinónimo de felicidade, de inteligência, de sociabilidade e de saúde). De resto, os estudos recentes vêm vindo a provar que a magreza constitui um sinal de saúde apenas no que concerne aos homens e somente a partir dos 50/60 anos de idade. Na mulher, parece, segundo dizem os especialistas, não existir qualquer relação entre magreza e saúde.
O ideal social de beleza varia de época para época. Contudo, nas últimas quatro décadas, o ideal de beleza para a mulher transformou-se num corpo progressiva e irrealisticamente mais magro. Autores norte-americanos verificaram, num interessante estudo, que a evolução dos pesos médios das concorrentes ao concurso de Miss América e Miss Playboy do Mês ao longo dos últimos vinte anos foi no sentido de pesos progressivamente mais baixos e formas mais tubulares. Este facto constitui uma verdadeira antítese, uma vez que o peso médio das mulheres da população geral com menos de 30 anos tem vindo a aumentar nos últimos anos, na mesma proporção que o peso das “coelhinhas” diminuiu.
As concorrentes dos concursos de beleza e as modelos que enchem as páginas das revistas de moda constituem verdadeiros modelos (na acepção psicológica do termo) para as jovens, acentuando ainda mais o ideal contemporâneo de beleza enquanto sinónimo de magreza. A moda constitui um importante veículo de influência social, encontrando-se constantemente associada à elegância e ao charme que os seus protagonistas preconizam.
Os media, com o poder que possuem na sociedade actual, constituem decisivos veículos de afirmação do estereótipo de beleza feminino, os quais bombardeiam autenticamente as jovens com mensagens aliciantes. O enorme incremento das técnicas publicitárias facilita uma ampla divulgação das mensagens subjacentes que servem a chamada “indústria do emagrecimento”. A título meramente exemplificativo, quem é que não quer ter um “corpo Danone”? Contudo, a verdade é que poucas mulheres têm possibilidade de ter um corpo como os modelos de beleza com que são confrontadas diariamente nos media.
A influência do grupo de amigos pode também constituir um factor de risco ou protecção para os distúrbios alimentares. A atitude da mulher em relação ao peso e dietas é frequentemente influenciada, por um processo de modelamento, pelo grau em que as amigas e amigos valorizam a magreza. É muito devido à comparação social com aqueles que são tidos como modelos pelo sujeito, que se tendem a desenvolver as crenças que estão na base dos distúrbios alimentares.
Até para a semana. Directo à questão.
publicado por Ricardo às 09:30
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Terça-feira, 3 de Junho de 2008

Entre o Normal e o Patológico (II): A Depressão Enquanto Emoção Inibitória

 

Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão.
Na nossa última reflexão tentámos perceber como funciona a ansiedade. Procurámos deixar bem claro que a resposta ansiosa pode ser considerada adaptativa e funcional, uma vez que mobiliza o indivíduo para a acção. Foi a primeira de um conjunto de reflexões em que tentaremos perceber melhor algumas das perturbações psicológicas mais comuns e com as quais somos bombardeados diariamente nos vários órgãos de comunicação social. Ansiedade, depressão, anorexia, bulimia: são expressões que nos habituámos a ouvir no senso comum e que representam complicações do foro psíquico mais ou menos complexas. Propomo-nos aqui a analisar algumas destas doenças de uma forma o mais pedagógica possível, tentando perceber as suas principais causas e consequências e deixando algumas recomendações para todos os que com elas convivem com maior ou menor proximidade.
Hoje focaremos a nossa análise numa das doenças ditas “da moda”. Quem é que já não recorreu a expressões como “hoje estou deprimido” ou “esta vida é deprimente”? A depressão é o distúrbio psicológico com a maior taxa de prevalência em Portugal. Vários estudos recentes apontam para uma taxa na ordem dos 10%, ou seja, estes números indicam que 1 em cada 10 portugueses sofre de depressão. Serão estes números realistas? O que é que causa depressão? Que tipo de sintomas estão associados ao estado depressivo?
Para melhor compreendermos esta doença, importa começar por perceber a diferença entre ansiedade e depressão. Na última semana, vimos que a ansiedade possui uma componente mobilizadora, ou seja, o ansioso, perante uma situação de ameaça, procura uma resolução do problema. Ao invés, o deprimido, perante um problema, desiste imediatamente, denotando um sentimento de culpa ou falha. Daqui ressalta que a depressão é uma emoção inibitória. Inibição, no sentido em que o deprimido, face a uma situação de perda, desiste de lutar por aquilo que perdeu.
É precisamente aqui que reside também a diferença entre a depressão e uma outra emoção facilmente associada a ela, a tristeza. A tristeza constitui uma resposta emocional normal e transitória a acontecimentos de vida negativos. Um indivíduo triste sabe o que perdeu, chora o que perdeu, mas mobiliza os seus esforços para recuperar o que perdeu. Em contrapartida, um indivíduo deprimido é alguém que desistiu de acreditar no futuro e na possibilidade de atingir os seus objectivos, ou acredita que as suas tentativas só o vão levar ao fracasso e à rejeição. Ao contrário da tristeza, que é uma emoção passageira e funcional, a depressão é uma doença, com critérios de diagnóstico objectivos. Muitas depressões tomam inclusive o cenário de quadros clínicos complexos e heterogéneos, que agrupam um conjunto de sintomas em diversas áreas de funcionamento do indivíduo.
            A depressão caracteriza-se, pois, por uma visão negativa do próprio indivíduo, do mundo e do futuro, associada a uma perda de prazer ou interesse em todas ou quase todas as actividades. Os principais sintomas associados à depressão incluem a tristeza, a irritabilidade, a angústia, o choro fácil, a melancolia, a perda de peso associada a uma diminuição do apetite, a insónia ou hipersónia, a agitação ou inibição psicomotora, a fadiga ou perda de energia, o sentimento de desvalorização ou culpa excessiva e a diminuição da capacidade de atenção-concentração.
Não podemos, contudo, confundir a ocorrência de um episódio depressivo com o diagnóstico de uma doença grave como a depressão. O surgimento de alguns destes sintomas é considerado normal perante um episódio de perda ou culpa. Apenas uma complexa constelação de sintomas configura aquilo que podemos denominar como a passagem do normal para o patológico. No entanto, como referimos na nossa última reflexão, este limiar é bastante ténue e define-se, grosso modo, como o momento em que os sintomas passam a interferir disfuncionalmente no bem-estar do indivíduo, modificando o seu quotidiano. Esta transição só ocorre em quadros clínicos complexos, pelo que considero excessivo afirmar que 1 em cada 10 portugueses sofre de depressão. Diria mais que este número resulta de diagnósticos displicentes ou, pura e simplesmente, de uma sobreavaliação de sintomas.
Embora todos tenhamos dias menos maus, não somos todos doentes. E somos tão menos doentes quanto melhor e mais rica for a nossa rede relacional de afectos. É nos amigos, na família, na escola, no trabalho, enfim, naqueles com quem nos relacionamos diariamente, que encontramos o suporte que nos impede de cair na esfera do patológico. Não nos deixemos enredar por um cenário negro e procuremos valorizar aquilo que de bom existe em nós, no mundo e no futuro. O equilíbrio é sempre possível.
Até para a semana. Directo à Questão.
publicado por Ricardo às 19:14
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