Quinta-feira, 28 de Agosto de 2008

Um Mau Desempenho Sexual Justifica o Fim de um Relacionamento?

 

Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão.
Sabemos que muitos dos relacionamentos terminam por questões eminentemente ligadas à performance sexual. Impõe-se, pois, a questão: será que um mau desempenho sexual justifica o fim de um relacionamento?
Por mais que queiramos “tapar o sol com a peneira”, continua a ser difícil falar abertamente sobre sexo na sociedade portuguesa. Questões culturais, ideológicas, políticas, sociais ou mesmo religiosas continuam a condicionar a nossa abordagem sobre as questões sexuais. Eterno tema tabu e sempre envolto em mil e um mitos, só há bem pouco tempo é que o sexo começou a ser abordado de uma forma mais pedagógica, enquanto um dos pilares da educação para a cidadania. É, por isso, um desafio trazer o tema para uma reflexão radiofónica e abordá-lo com a seriedade e a isenção necessárias para que seja possível um verdadeiro aconselhamento na área.
Porque não existem receitas e cada caso é um caso, aqui ficam algumas opiniões técnicas de diversos autores credenciados sobre comportamentos e (dis)funções sexuais e outros tantos pontos de discussão sobre o tema que espero nos possam fazer reflectir seriamente sobre a questão da sexualidade humana e tentar, então, perceber se um relacionamento pode ser efectivamente condicionado por um mau desempenho sexual.
O sexo associado a um mero mecanismo de reprodução há muito é entendido como uma perspectiva limitativa da sexualidade humana e qualquer relação sexual deve, naturalmente, incluir e fomentar comportamentos propiciadores de prazer para além do mero coito reprodutivo, designadamente o sexo oral e anal, o beijo e exploração do corpo, as carícias heterossexuais (“petting”), os processos imaginais, os fetiches e demais fantasias sexuais.
É inequívoco que o tipo, o número e a diversidade de fantasias e a própria frequência de actividades sexuais devem ser definidas em conjunto pelo casal, idealmente através de um processo de negociação conjunta entre ambos
As fantasias e fetiches sexuais não estão associados a dificuldades no funcionamento sexual nem a perturbações de personalidade, muito pelo contrário, eles permitem quebrar alguma monotonia ou falta de estimulação normais em determinados momentos do relacionamento.
A inovação das práticas sexuais depende, obviamente, da margem de liberdade que é dada a cada um dos lados do relacionamento e das respectivas codificações sociais e culturais da sexualidade.
Relativamente às motivações para o sexo, as mulheres tendem a valorizar mais dimensões predominantemente relacionais, como a proximidade emocional, as carícias e os beijos, enquanto os homens valorizam mais os aspectos essencialmente físicos, como o orgasmo, o prazer e o contacto oral-genital.
Se é verdade que os homens tendem a gostar mais de sexo do que as mulheres, também é verdade que são elas que mais valorizam a paixão enquanto motivação para o sexo e mais fazem depender o relacionamento do desempenho sexual.
Os homens julgam que percebem mais de sexo e vangloriam-se mais entre pares do que aquilo que realmente conhecem ou são capazes de concretizar (e por isso raramente procuram informar-se sobre o assunto ou melhorar a sua performance sexual), enquanto que as mulheres são mais modestas nos comentários entre pares, mas são aquelas que mais percebem de sexo e mais procuram informação tendo em vista a melhoria do seu desempenho sexual.
A harmonia de um relacionamento é indissociável da sexualidade, mas não depende exclusivamente desta: existe todo um conjunto de factores, que vão da esfera do trabalho a condicionantes económicas e factores de stress familiar que, como o desempenho sexual, interferem na funcionalidade da relação.
Até para a semana. Directo à Questão.
publicado por Ricardo às 09:40
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Quinta-feira, 21 de Agosto de 2008

Falar é Fácil: Uma Homenagem ao Poder da Palavra

 

Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão.
            Estamos na rádio. Esse meio de comunicação já tantas vezes condenado à extinção, mas que teima em resistir a tudo e ocupar um lugar determinante no nosso dia-a-dia. Esse meio de comunicação que usa o poder da voz como o mais valioso instrumento na abstracção do real. Esse meio de comunicação que nos habituámos a redescobrir em cada segundo, em cada minuto, em cada hora.
            Por mais que queiramos, nada substitui o imediatismo, a frontalidade e a objectividade da palavra dita. Venha quem vier, nada parece poder alguma vez substituir a magia da rádio. Que conquistou o seu lugar na história de cada um de nós e na história do mundo que nos rodeia. E que conquista, a cada dia, a prova de que tudo tem o seu lugar. Até o amor.
            Porque falar é fácil - o difícil é mesmo o resto - aqui ficam as sábias palavras de Carlos Drummond de Andrade, na minha homenagem ao poder da palavra, aos afectos, às emoções, à vida. Naquela que é também a minha homenagem à rádio.
“Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem sua opinião. Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá.
Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias. Difícil é encontrar e reflectir sobre os seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado.
Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir. Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso. E com confiança no que diz.
Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado. Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende. E é assim que perdemos pessoas especiais...
Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar. Difícil é mentir ao nosso coração.
Fácil é ver o que queremos enxergar. Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto. Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil.
Fácil é dizer "oi" ou "como vai'? Difícil é dizer "adeus". Principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas...
Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados. Difícil é sentir a energia que é transmitida. Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.
Fácil é querer ser amado. Difícil é amar completamente só. Amar de verdade,sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. Amar e se entregar. E aprender a dar valor somente a quem te ama.
Fácil é ouvir música que toca. Difícil é ouvir a sua consciência. Acenando o tempo todo, mostrando nossas escolhas erradas.
Fácil é ditar regras. Difícil é segui-las. Ter a noção exacta de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros.
Fácil é perguntar o que deseja saber. Difícil é estar preparado para escutar esta resposta. Ou querer entender a resposta.
Fácil é chorar ou sorrir quando dá vontade. Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar a rir, de alegria.
Fácil é dar um beijo. Difícil é entregar a alma. Sinceramente, por inteiro.
Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida. Difícil é entender que pouquíssimas delas te vão aceitar como você é e te vão fazer feliz por inteiro.
Fácil é ocupar um lugar na caderneta telefónica. Difícil é ocupar o coração de alguém. Saber que se é realmente amado.
Fácil é sonhar todas as noites. Difícil é lutar por um sonho...”
Até para a semana. Directo à Questão.
publicado por Ricardo às 14:24
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Quarta-feira, 13 de Agosto de 2008

Os Dias do Fim de Radovan Karadzic ou um Exercício sobre a Natureza Humana

 

Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão.
O antigo líder político dos sérvios da Bósnia, Radovan Karadzic, detido a 21 de Julho na Sérvia acusado de genocídio, encontra-se actualmente a aguardar julgamento na prisão do Tribunal Penal Internacional de Haia. Karadzic é acusado de crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio, nomeadamente devido ao massacre de cerca de 8.000 muçulmanos em Julho de 1995 em Srebrenica, no este da Bósnia.
Grande responsável pelas sangrentas mortes da Guerra dos Balcãs, o antigo líder político viveu nos últimos 13 anos sob o nome de Dragan Dabic, um camponês e operário da construção civil, e sob a aparência de Petar Glumac, um curandeiro sérvio. Completamente transfigurado, quem era aquele homem que foi recentemente detido pelas autoridades sérvias? Seria o simpático curandeiro da aldeia que salvou da morte dezenas de enfermos ou o assustador carniceiro acusado da morte de milhares de muçulmanos? Um anjo ou um monstro? Existirá dentro de cada um de nós um ser violento capaz das maiores atrocidades? Será que estamos perante um homem de fundo bom?
Afinal de contas, a detenção de Radovan Karadzic provocou uma onda de protestos e manifestações dos seus seguidores, em pleno coração de Belgrado. Afinal de contas, os seus defensores dizem que ele não é mais culpado do que qualquer outro numa guerra em tempo de liderança política. Afinal de contas, a sua fuga às autoridades durante mais de uma década fez dele um herói internacional entre os sérvios da Bósnia. Em 21 de Fevereiro de 2008, no momento da independência da do Kosovo, dezenas de retratos de Karadzic invadiram Belgrado durante exibições de protesto. Afinal de contas, estamos perante um político com formação de base em Psiquiatria na Universidade de Sarajevo e um reconhecido autor de poesia, influenciado pelo escritor sérvio Dobrica Cosic.
Mas será que poderemos mesmo desculpabilizar Radovan Karadzic?
No Le Monde”, em editorial, escreveu-se há tempos: « Radovan Karadzic encarnou o nacionalismo sérvio mais puro, mais duro, mais louco. Karadzic vivia no seu universo de poesia épica, fascinado pelo que chamava a sua "raça de guerreiros", rodeado de papas ortodoxos e de ideólogos parecendo não ter compreendido muito que a Europa tinha evoluído desde o fim da dominação otomana. O pior talvez para Karadzic é que ele terá sido detido não pelos Muçulmanos bósnios que quis exterminar, não pelos Ocidentais que odiava, mas por uma Sérvia prestes a sair da sua época mais demoníaca, uma Sérvia ainda muito nacionalista mas dirigida por democratas, um país prestes a reconciliar-se pouco a pouco com os seus vizinhos e a avançar para a Europa comunitária.»
De nada vale especular sobre a justeza da detenção do antigo líder sérvio. Não é possível perdoar a alguém responsável por milhares de mortes de pessoas inocentes. Não é possível perdoar a alguém que busca o extermínio de todo um povo. Não é possível perdoar a alguém que provoca tal sofrimento. Não é possível perdoar a alguém enlouquecido pelo poder e pela ambição.
Por detrás do simpático curandeiro de aldeia está o lado mais negro da existência humana. É essa existência que admite a violência como algo inato no seu ser. Mas que tem de condenar as formas extremas dessa violência, porque para qualquer característica inata existe um filtro social que impede a sua manifestação no estado mais puro. É esse filtro social que nos faz seres racionais e não meros animais que matam por puro instinto sobrevivência. Nesse filtro cabem, entre outros, os valores e normas sociais, as noções de cidadania e vida em comunidade, os imperativos de desenvolvimento e progresso humanos.
A violência é inata à natureza humana. A necessidade de poder é intemporal. Mas são sempre os valores os principais causadores das guerras. Sejam eles políticos, religiosos ou ideológicos.
Essa comunidade que resulta de um processo de desenvolvimento social e humano – com falhas, é certo – vai fzer Radovan Karadzic responder pelos seus crimes. Não é o modelo perfeito. Nunca será possível unificar valores e crenças à escala universal. Mas a humanidade precisa de evoluir. E, enquanto cidadãos, todos somos responsáveis por esse desenvolvimento.
Até para a semana. Directo à Questão.
publicado por Ricardo às 09:58
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Quinta-feira, 7 de Agosto de 2008

Cavaco Silva e a sua Inédita Comunicação ao País: A montanha pariu mesmo um rato?

 

Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão.
O Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores motivou uma inédita comunicação ao país do Presidente da República na passada quinta-feira, em pleno horário nobre das televisões. Nesse dia, Portugal acordou verdadeiramente angustiado com a expectativa criada pelas interrogações em torno da intervenção. E foi com toda a pompa e circunstância que, à hora marcada, Cavaco Silva irrompeu pela casa dos portugueses para comunicar a devolução do novo Estatuto dos Açores à Assembleia da República tendo em vista a emenda das inconstitucionalidades detectadas pelo Tribunal Constitucional.
Logo um coro de críticas se levantou um pouco por todo o país para criticar o conteúdo da comunicação e todo o dramatismo e mediatismo prévios à intervenção pública do Presidente. Logo um grupo de desiludidos questionou se não existiriam temas mais relevantes para o dia-a-dia dos portugueses que justificassem a interrupção das férias de Cavaco Silva. Decepção? Surpresa? Uma tempestade num copo de água? Afinal ainda não foi desta que o Presidente veio comunicar a descoberta de petróleo em terras lusas ou a introdução de mais um feriado no calendário anual. Mas será que o tema é assim tão irrelevante para o país? Será que a montanha pariu mesmo um rato?
Talvez seja verdade que a forma sensacionalista como as notícias são apresentadas pelas nossas televisões faça do tema do Estatuto Político-Administrativo dos Açores uma questão demasiado lateral para o comum dos portugueses. Talvez seja verdade que a crise económica mexe muito mais com o bolso dos portugueses do que qualquer outro tema da actualidade. Talvez seja verdade que a comunicação social tenha desempenhado um papel determinante na elevação das expectativas dos portugueses relativamente à comunicação de Cavaco Silva. Talvez seja verdade que outros canais de comunicação institucionais poderiam ter sido utilizados para fazer chegar aos portugueses a mensagem do Presidente. Mas se assim o fez, foi porque Cavaco Silva entendeu o tema como demasiado relevante para a República Portuguesa. Aproveitemos, pois, para efectuar uma análise mais rigorosa da questão para a qual Cavaco Silva alertou na sua intervenção.
Qualquer cidadão informado reconhece a importância geográfica, política e estratégica do Arquipélago dos Açores. No passado dia 4 de Julho, o Presidente da República requereu junto do Tribunal Constitucional a fiscalização preventiva da constitucionalidade do decreto da Assembleia da República que aprovou a terceira revisão do Estatuto que regula a administração daquela Região Autónoma. Das 13 questões levantadas por Cavaco Silva, o Tribunal Constitucional considerou oito delas contrárias à lei fundamental, a Constituição da República Portuguesa.
Segundo o Chefe de Estado, existem normas no Diploma que restringem o exercício das competências políticas do Presidente da República, colocando em causa o equilíbrio e a configuração de poderes do sistema político previsto na Constituição. Cavaco Silva admite que o novo estatuto pretendia dar seguimento ao modelo de autonomia previsto na revisão constitucional de 2004, mas sublinha que é importante salvaguardar a separação de poderes e as competências dos órgãos de soberania consagrados na Constituição Portuguesa.
Com as eleições regionais nos Açores agendadas para 19 de Outubro, a que se seguirá um agitado período de tensão política a anteceder eleições europeias, legislativas e autárquicas, esta questão há muito que deixou de ser exclusiva preocupação do povo e dirigentes açoreanos. Segundo o Jornal Expresso desta semana, no início do ano, o Presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César, terá mesmo dito ao Primeiro-Ministro José Sócrates que só se recandidataria a um quarto mandato se o novo Estatuto dos Açores fosse viabilizado pela Assembleia da República. Foi a pensar no normal funcionamento das instituições e no saudável equilíbrio entre Belém e São Bento, mas também entre Governo Central e Regiões Autónomas, que o Presidente da República trouxe o tema para o debate político.
Será que esta questão não deveria merecer a preocupação dos portugueses? Também não há grande problema. Sob pena da irremediável perda de audiências, no minuto seguinte à comunicação do Presidente da República, já os telejornais falavam do preço dos combustíveis e das últimas novidades do Caso Maddie. Afinal de contas, no dia seguinte à comunicação do Presidente da República era dia 1 de Agosto e metade dos portugueses entravam de férias.
Até para a semana. Directo à Questão.
publicado por Ricardo às 09:47
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