Quarta-feira, 29 de Julho de 2009

39 Anos Sobre a Morte de Oliveira Salazar

 

Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão.
 
Foi em 27 de Julho de 1970. Nessa data, Portugal conhecia a notícia da morte do ditador António de Oliveira Salazar. Apesar de todas as modificações entretanto ocorridas, trinta e nove anos depois, a marca de Salazer permanece bem vincada na História de Portugal, chegando a haver quem o considere o português mais influente de sempre.
             Oliveira Salazar nasceu em 1889, em Santa Comba Dão, descendente de uma família de pequenos proprietários agrícolas. A sua educação foi fortemente marcada pelo Catolicismo, chegando mesmo a frequentar o Seminário. Mais tarde estudou na Universidade de Coimbra, onde viria a ser docente de Economia Política.
Ainda durante a Primeira República, Salazar iniciou a sua carreira política como deputado católico para o Parlamento Republicano em 1921. Já em plena Ditadura Militar, Oliveira Salazar foi nomeado para Ministro das Finanças, cargo que exerceu apenas por quatro dias, devido a não lhe terem sido delegados todos os poderes que exigia. Quando Oscar Carmona chegou à Presidência da República, Salazar haveria de regressar à pasta das Finanças, com todas as condições exigidas, designadamente a supervisão de todas as despesas de todos os Ministérios do Governo.
Em 14 de Maio de 1928, publicou a Reforma Orçamental, contribuindo para que o ano económico de 1928-1929 registasse um saldo positivo. Tal feito foi particularmente prestigiante para Oliveira Salazar. O sucesso obtido na pasta das Finanças tornou-o chefe de governo em 1932. No ano seguinte, com a aprovação da nova Constituição, formou o denominado Estado Novo, um regime autoritário semelhante ao fascismo de Benito Mussolini.
As graves perturbações verificadas nos anos 20 e 30 nos países da Europa Ocidental levaram Salazar a adoptar severas medidas repressivas contra os que ousavam discordar da orientação do Estado Novo. No entanto, ao nível das relações internacionais, com o que podemos chamar hoje de hábeis malabarismos, conseguiu assegurar a neutralidade de Portugal na Guerra Civil de Espanha e na Segunda Guerra Mundial.
O declínio do império salazarista teve o seu prólogo em 1961, motivado sobretudo pelo surto de emigração e pelo crescimento capitalista. Salazar haveria de ser afastado do governo em 1968, por motivo de doença, e substituído por Marcello Caetano. A sua morte, a 27 de Julho de 1970, em Lisboa, marca o fim de um ciclo na História de Portugal.
Curiosamente, no dia em que o povo tem conhecimento da sua morte, realiza-se o Exame Nacional de Português. O Texto a analisar é a cena IV do Acto III de “Frei Luís de Sousa”, de Almeida Garrett. O personagem Telmo, fiel escudeiro de D. João de Portugal, quando este aparece vestido de Romeiro, diz: «Meu Deus, meu Deus, levai o velho que já não presta para nada, levai-o, por quem sois!» Claro está que, na altura, o meio estudantil haveria de conotar ironicamente esta passagem textual com a morte de António de Oliveira Salazar.
 
Até para a semana. Directo à Questão.
 
publicado por Ricardo às 17:30
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O Legado de Calouste Gulbenkian

 

Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão.
 
Em 20 de Junho de 1955, há cinquenta e quatro anos atrás, morria, em Lisboa, com 86 anos de idade, Calouste Sarkis Gulbenkian, proeminente figura da cultura portuguesa.
Gulbenkian nasceu em Istambul, na Turquia, em 1869. Membro de uma ilustre família arménia cujas origens remontam ao século quarto, estudou e licenciou-se em Engenharia e Ciências Aplicadas no King's College da Universidade de Londres. Adquiriu a nacionalidade inglesa em 1902.
Em 1939 foi nomeado Consul Geral do Irão em Paris. Quando, na II Guerra Mundial, os alemães invadiram a França, procurou refúgio em Portugal, fixando-se em Lisboa em 1942, no Hotel Aviz, que ficava nos terrenos em que hoje se ergue o Hotel Sheraton. Ali ficou instalado até à sua morte, em 1955.
Em 18 de Junho de 1953, assinou o seu testamento, deixando uma parte da sua fortuna para a criação da Fundação que ostenta o seu nome. Generoso filantropo, sempre preocupado em ajudar os menos favorecidos, deixou bem claro que a sua Instituição deveria ter fins caritativos, artísticos, educativos e científicos.
A "Fundação Calouste Gulbenkian" é uma instituição de direito privado e utilidade pública e ainda hoje desempenha um papel de relevo na divulgação e promoção da cultura e do património histórico português. Assumiu ainda, por paradigma, estimular o desenvolvimento social e humano, apoiando acções de investigação na área da saúde.
A sua acção, de carácter universalista, desenvolve-se tanto em Portugal como no estrangeiro, através de apoio técnico e financeiro, actividades directas, e concessão de bolsas e subsídios.
A Fundação Calouste Gulbenkian continua hoje a prestar, como na sua génese, um valioso contributo no campo da cultura e da investigação científica. Para além da criação e apetrechamento de museus e institutos científicos e educativos, mantém uma orquestra de música clássica e, até há bem pouco tempo, possuía o mais consagrado grupo de ballet do nosso País. Continua a apoiar, a título individual e colectivo, as mais variadas expressões artísticas, com importantes e frequentes iniciativas na área da música clássica, jazz e música ligeira. Prossegue o espírito social que presidiu à sua fundação, concedendo todos os anos centenas de bolsas de estudo para a frequência de licenciaturas, mestrados e doutoramentos, tanto em Portugal como no estrangeiro. Um apreciável número de bibliotecas itinerantes da Fundação Gulbenkian percorreu Portugal até 2002, levando a cultura aos mais recônditos recantos do país. Também inúmeros Centros de Recursos Educativos foram apetrechados com livros oferecidos por esta prestimosa Instituição.
            Cinquenta e quatro anos depois da sua morte, Calouste Sarkis Gulbenkian continua bem vivo. Sem dúvida que lhe devemos muito do que ainda se faz de bom em Portugal nas áreas da Arte, Ciência e Educação.
 
Até para a semana. Directo à Questão.
 
publicado por Ricardo às 17:28
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Gripe A: Informação, a base para uma prevenção eficaz

 

Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão.
 
Sabia que a correcta higienização das mãos é uma das medidas mais importantes para reduzir o risco de transmissão de uma infecção de uma pessoa para outra? Algo tão simples como lavar frequentemente as mãos com água e sabonete líquido (ou, em alternativa, um desinfectante à base de álcool) é uma das principais medidas preventivas para evitar a transmissão do vírus da Gripe A ou H1N1. Mas há muitas mais. Pequenos actos e gestos que podem efectivamente fazer a diferença.
As recomendações das autoridades de saúde são claras. A Gripe A apresenta efectivamente um risco para a saúde pública, mas a transmissão do vírus está longe de constituir uma ameaça pandémica no nosso país. Se estiver com gripe, mantenha-se em casa e afastado dos familiares; cubra o nariz e a boca quando tossir ou espirrar, de preferência com um lenço de papel de uso único que deverá deitar ao lixo imediatamente após a utilização. Faça uma higienização correcta das instalações, recorrendo a sabões e desinfectantes e fazendo uma ventilação adequada.
 Para quem vai de viagem, é sugerida uma consulta às recomendações do sítio da internet da Direcção Geral de Saúde ou da Organização Mundial de Saúde onde, de resto, poderá encontrar informação actualizada sobre a Gripe A. Importa seguir as instruções relativas às medidas de saúde pública, como o encerramento de instituições, distanciamento social e, no caso de estar com sintomas de gripe (designadamente, febre superior aos 38º), contactar a linha saúde 24.
Conhecidas e mais do que divulgadas todas estas recomendações, não se percebe como é que grupos de risco, especialmente vulneráveis nestes contextos particulares, como é o caso das crianças, continuam a viajar indiscriminadamente para países como o México ou, e aí sim particularmente grave uma vez que as viagens não estão proibidas, como é que não há uma maior preocupação com a prevenção e com a despistagem da doença em casos de maior exposição a factores de risco.
            Custa a encaixar o que aconteceu com o encerramento do Externato das Pedralvas, em Benfica, com a detecção de cinco casos de gripe A em crianças que frequentavam a escola, depois da de infecção de um bebé de 18 meses, que havia recentemente chegado do México.
É óbvio que as instituições não estão devidamente preparadas para estas respostas de contingência. É óbvio que faltam respostas integradas a situações como esta. Mas parece-me ainda mais óbvio que também as pessoas parecem não estar convenientemente preparadas para um eventual surto pandémico. Ninguém parece estar muito preocupado com a ameaça do vírus da gripe A. Afinal estas coisas só acontecem aos outros...
Em meu entender, alarmante não é a criança do Externato das Pedralvas ter ido com os pais para o México. Alarmante é ter voltado para o colégio como se nenhum comportamento de risco tivesse sido adoptado. Como se colocar um bebé de 18 meses no país foco da doença não fosse um comportamento de risco por parte dos pais.
Nesta situação, como noutras, o acesso à informação é fundamental. Siga sempre as estratégias e recomendações das autoridades de saúde. Porque prevenir, nesta situação, como noutras, continua a ser o melhor remédio.
 
Até para a semana. Directo à Questão.
publicado por Ricardo às 17:12
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Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Os Desafios da Doença Crónica: Gestão e Prevenção

 

Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão.
 
 Ao longo dos últimos 50 a 60 anos, os avanços da ciência, em geral, e da medicina, em particular, facilitaram a sobrevivência a várias doenças que eram consideradas como sendo responsáveis por uma grande percentagem de mortes, assistindo-se, em contrapartida, a um aumento das doenças crónicas.
Doenças crónicas, por oposição a doenças agudas, são doenças que evoluem lentamente e se prolongam ao longo da vida. Tendem a durar muito tempo e são persistentes. Os sintomas podem interferir, em vários graus, com a capacidade para trabalhar, para levar a cabo papéis familiares, para gozar de tempo livre e até mesmo para descansar, o que conduz a uma incapacidade que obriga a alterações das funções e rotinas básicas do doente.
Na definição de Blanchard, proposta em 1982, doenças crónicas são doenças que têm de ser geridas em vez de curadas, ou seja, as pessoas que têm doenças crónicas podem fazer a vida do dia a dia como qualquer outra pessoa e, grande parte delas, acaba por falecer de velhice ou de outras doenças que não a doença crónica que os acompanhou durante toda ou grande parte da vida. As doenças crónicas não se definem, então, pela sua aparente ou real gravidade, mas sim por serem doenças ou sem cura ou de duração muito prolongada.
Crianças com doença crónica são aquelas que, durante um período de tempo considerável, se encontram, devido a causas físicas, impossibilitadas de participar plenamente nas actividades inerentes à sua idade, no domínio social, recreativo ou de orientação profissional. Pode, assim, considerar-se doença crónica toda a lesão somática que reduz de uma forma importante as capacidades da criança por um tempo prolongado; todos os estados patológicos devidos a causas múltiplas, com sintomas diversos, com evolução longa, muitas vezes com sequelas e ressonância psicológica, familiar e social.
Um estudo feito nos Estados Unidos da América concluiu que 10% a15% das crianças com menos de 18 anos de idade sofriam de doenças crónicas. Destas, 10% têm condições severas, o que corresponde a 1% da população total de crianças nos Estados Unidos.
As causas das doenças crónicas podem ser de dois tipos: genéticas, quando as doenças crónicas se devem a defeitos cromossómicos, isto é, a defeitos nos genes; ou ambientais, quando se devem a influência de factores externos (por exemplo, a exposição a radiações durante a gravidez).
Neste sentido, a prevenção da doença crónica pode ser feita a três níveis: prevenção primária, prevenção secundária e prevenção terciária. A prevenção primária impede o aparecimento da doença, evitando, por exemplo, álcool e drogas durante a gravidez. A prevenção secundária tem lugar depois da concepção do feto afectado e pode envolver esforços para terminar a gravidez. Em alguns casos raros é possível recorrer à cirurgia fetal para corrigir a situação. No entanto, a decisão de fazer ou não estas cirurgias implica sempre grandes questões éticas e morais, o que constitui uma dificuldade, provocando, por vezes, conflitos no casal. Na prevenção terciária, procura-se minimizar as consequências sociais e psicológicas indesejáveis e desnecessárias da doença crónica na criança e na família. Recorre-se, sempre que possível, a tratamentos que possam ser feitos em casa de modo a abrandar a progressão da doença, a reduzir as complicações médicas e a prolongar a vida. O sucesso ou insucesso dos tratamentos depende muitas vezes da complexidade do tratamento, dos recursos da família, da quantidade de tempo despendida, das expectativas e atitudes da família.
Ponto assente, pois, é que as doenças crónicas não se curam e, mais eficiente do que tratá-las, é preveni-las. Em pleno século XXI, com todos os avanços científicos na área, já não há motivo para temer a doença. Resta saber percebe-la, integrá-la e geri-la de forma a minimizar os seus impactos pessoais e sociais.
 
Até para a semana. Directo à Questão.
publicado por Ricardo às 14:24
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Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Michael Jackson: O Fim de um Mito

 

Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão.
 
Odiado por muitos. Amado por muitos mais. Michael Jackson, o rei do pop morreu no Hospital da Universidade de Los Angeles, no passado dia 25 de Junho, eram 14h26, hora local. Tinha 50 anos.
Michael Jackson faleceu de ataque cardíaco, mas muito se tem especulado quanto a eventuais abusos de medicação do cantor. Lenda da pop, um verdadeiro génio da música, desaparece a 3 semanas do aguardado regresso aos palcos, em Londres. Poderá ter sido também essa ansiedade pelo muito aguardado regresso uma das causas da morte. O certo é que o mundo ficou de luto. A música não voltará a ser a mesma.
Criança prodígio, Michael Jackson começou aos 5 anos num ambiente muito familiar, ao lado dos irmãos, os Jackson Five. A carreira a solo atingiu o seu auge com o brilhante “Thriller”, que vendeu mais de 100 milhões de cópias em todo o mundo e é, ainda hoje, uma incontornável referência no pop à escala global.
Polémico, já na fase mais decadente da sua carreira, no pós-anos noventa, não se livrou de acusações de pedofilia e gastou fortunas para se livrar das malhas da justiça. O seu conhecido rancho de Neverland, ou Terra do Nunca, foi vendido nessa fase. Refugiou-se no Médio Oriente para reaparecer nas notícias recentemente, prometendo novidades e muitos, muitos concertos. A verdadeira euforia de fãs e não fãs em torno desse prometido regresso à ribalta mostrou que a sua áurea estava longe de estar esgotada. Ironicamente, haveria de ser numa fase em que muitos atestavam a sua boa saúde e o davam como mais apto que nunca para o regresso aos palcos da fama, que a tragédia da sua morte enlutou todo o panorama artístico mundial. É o fim de um mito.
Foi Michael Jackson que ajudou a definir o próprio conceito de teledisco. Impulsionado pela ascensão do canal de televisão MTV, foi o cantor que nos ensinou a valorizar a imagem que acompanha a voz, que soube mostrar ao mundo a magia da cor, da dança e da coreografia no impacto visual. Podemos, neste prisma, falar, mais do que nunca, num verdadeiro artista.
Sempre longe de ser consensual, Michael Jackson moveu e move multidões. Reinventou a música, mas, acima de tudo, inventou o teledisco. Não terá sido, contudo, capaz, em grande parte das ocasiões, de gerir da melhor forma todo o seu talento e projecção mediática.
Morreu ontem, hoje só me apetece ouvir a sua música non-stop. Morreu ontem, hoje continua a perpetuar o seu estilo e a fazer-nos lembrar uma geração. Morreu ontem, hoje o mundo demonstra que ninguém o esquece.
 
Até para a semana. Directo à Questão.
 
publicado por Ricardo às 15:32
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