Quinta-feira, 24 de Setembro de 2009

Madrid e Barcelona: Verdadeiros banquetes para os sentidos

 

Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão.
 
Chamam-lhe a Nova Iorque europeia. Eu chamar-lhe-ia a capital de todas as emoções. Arte e prazer combinam-se excepcionalmente numa cidade repleta de luz e de sentimento. Cosmopolita mas familiar. Uma tentação em cada esquina. Assim é Madrid.
A oferta dos museus é irrecusável: Guernica, a obra-prima de Picasso, merece cada segundo de contemplação, no Rainha Sofia. A Porta do Sol irradia claridade: a Plaza Mayor e os Jardins do Palácio Real completam a magia, iluminado sobre o visitante. Os bares de tapas, cafés e irresistíveis restaurantes são um deleite para os sentidos: só o Passeio do Prado conseguiria deleitar-me deliciosamente. As rotas de El Greco e de Velásquez convivem maravilhosamente com a modernidade dos arranha-céus nas “Portas da Europa”: no contexto de uma peculiar arquitectura dos anos 20 particularmente cuidada, Madrid parece ter sido tirada directamente de um conto de fadas.
Poucas cidades acolhem assim. Madrid é uma pérola no meio da Ibéria.
Mas Barcelona é tudo isso e muito mais. Barcelona é, pura e simplesmente, uma das mais vibrantes e emocionantes cidades europeias. É impossível ficar indiferente ao seu cosmopolitismo (que encontra o seu expoente máximo nas deliciosamente intermináveis Las Ramblas), à sua gastronomia (com as inevitáveis tapas e a improvável surpresa que é o fabuloso Restaurante Market - absolutamente obrigatório!!), à cor e à luz que dela irradiam (em locais como a Fonte Mágica ou a Torre Agbar) ou ao verde mágico de Montjuic e Tibidabó (e, claro, do imponente Parque Güell).
Mas o que realmente surpreende em Barcelona é a arte. Não bastava conjugar majestosamente os elementos urbano (com toda a monumentalidade da zona histórica, do Bairro Gótico ao Poble Espanhol) e natural (com as inebriantes paisagens em harmonia citadina, tendo o azul do Mediterrâneo como fundo). Não bastava tudo isso e tudo o que de mais foi dito. Barcelona consegue ainda transpirar arte em cada um dos seus mais recondidos recantos. Por tudo isso e tudo o que de mais será dito, esta Barcelona de Dali, de Picasso, de Miró, mas sobretudo de Gaudí, é uma cidade quase perfeita.
A Sagrada Família é o expoente máximo da grandiosidade da cidade e do próprio Antoni Gaudí. Nela, o autor trabalhou quarenta anos, até morrer. A sua construção iniciou-se sob o conceito de templo expiatório, pelo que foi financiada desde o início exclusivamente a partir de esmolas de particulares. Ainda hoje continua a ser construída a partir de donativos e receitas provenientes das entradas dos visitantes. A sua conclusão está prevista para 2030. Conjuntamente com obras como a Casa Milá (La Pedrera), a Casa Batló (A Casa dos Ossos) ou a Casa Vicens, Barcelona revela em cada esquina toda a singularidade do mestre Gaudí. Poucos artistas terão esse mérito de poder dizer - e fazer - sua uma cidade.
Nestas terras de magia, falta sempre visitar qualquer coisa. Falta sempre (re)descobrir um lugar, um espaço, um som que ficou para trás.
 
Até para a semana. Directo à Questão.
publicado por Ricardo às 16:43
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Quarta-feira, 16 de Setembro de 2009

A Hiperactividade em Contexto Escolar: Contributos para a Compreensão do Problema

 

Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão.
 
A Hiperactividade é um dos mais mediáticos distúrbios do foro psicológico em contexto escolar. É, contudo, um dos menos compreendidos por pais, professores e demais agentes educativos que diariamente são obrigados a lidar com alunos com este tipo de problemas.
De acordo com a DSM-IV, o Manual de Diagnóstico das Doenças Mentais, comummente aceite a nível internacional pelos profissionais ligados à saúde mental, e que uniformiza os critérios de diagnóstico dos distúrbios psicológicos, a Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção é definida como um “padrão persistente de falta de atenção e impulsividade, com uma intensidade mais frequente e grave que o observado habitualmente nos sujeitos com um nível semelhante de desenvolvimento”.
Para uma melhor compreensão do problema em contexto escolar, importa salientar todo um conjunto de questões que me parece que podem ajudar a clarificar aquilo que está na base do distúrbio de Hiperactividade. Antes de mais, importa lembrar que a Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção não tem sinais físicos claros – é identificada por um conjunto de comportamentos específicos. Depois, importa ainda salientar que não foi identificada uma causa única por detrás dos diferentes padrões de comportamento hiperactivo. Finalmente, importa afirmar que a Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção funciona frequentemente como uma espécie de “guarda-chuva” sob o qual se abrigam perturbações com as mais diversas origens. De facto, os sintomas de Hiperactividade com Défice de Atenção tendem a corresponder, na sua essência, a uma manifestação comportamental de défices emocionais, cognitivos ou dificuldades de aprendizagem específicas, os quais não podem ser descurados, muito pelo contrário, na percepção dos problemas do aluno hiperactivo.
Sem colocar em causa o profissionalismo dos técnicos que trabalham diariamente com este tipo de alunos, chego mesmo a duvidar de muitos dos diagnósticos de Hiperactividade que, comummente, continuam a ser efectuados. Qualquer diagnóstico de Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção exige a realização apurada de vários exames clínicos de despistagem, nomeadamente do foro neurológico, para que seja possível fazer um efectivo diagnóstico diferencial do problema.
Para lidar com estes alunos, não existem procedimentos infalíveis, pelo que as medidas a adoptar por parte dos agentes educativos no tratamento de alunos com Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção devem ser consistentes com as necessidades da criança e adaptáveis à situação de ensino. Contudo, existem alguns conselhos que podem e devem ser tidos em conta. Antes de mais, deverá existir um esforço de todos para que as dificuldades sejam integradas e compreendidas por pais, professores e próprio aluno e os seus efeitos minimizados.
Outras sugestões de âmbito mais prático podem ser seguidas, nomeadamente a localização da criança da sala distante de estímulos distractores; a definição de um sistema muito claro de regras, com recompensa imediata de comportamentos adequados; o desenvolvimento na criança da percepção de que um comportamento é influenciado pelos antecedentes e que a sua repetição está dependente dos consequentes; a introdução de estímulos concretos que ajudem o aluno hiperactivo a autocontrolar-se; ou o recurso a formas particulares de tolerância (por exemplo, dar mais tempo para a realização de uma tarefa).
 
Até para a semana. Directo à Questão.
 
publicado por Ricardo às 10:48
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Sexta-feira, 11 de Setembro de 2009

Mao Tsé-Tung: A China entre o passado e o presente

 

Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão.
 
A 9 de Setembro de 1976, faz hoje precisamente trinta e três anos, falecia Mao Tsé-Tung, fundador da República Popular da China. Mao Tsé-Tung foi um importante teórico marxista, político, revolucionário, poeta, soldado e governante comunista da República Popular da China.
Mao nasceu na aldeia de Shaoshan, na China. Filho de camponeses, frequentou a escola até aos 13 anos de idade e trabalhou como lavrador com os pais até ao momento em que, por desavenças com o pai, saiu de casa para estudar em Changsha, capital de província. Foi aí que conheceu as ideias políticas ocidentais e especialmente as do líder nacionalista Sun Yat Sen. Quando, em 1911, teve início a revolução contra a dinastia Manchu que dominava o país, Mao Tsé-Tung alistou-se como soldado no exército revolucionário, ali permanecendo até o início da república chinesa, em 1912.
De 1913 a 1918, estudou na Escola Normal de Hunan, aprendeu filosofia, história e literatura chinesa. Mao Tsé-Tung destacou-se, desde logo, como proeminente líder estudantil, com participação em várias associações. Mudou-se para Beijing em 1919, onde iniciou os estudos universitários em Filosofia e Pedagogia. Foi neste contexto que conheceu Chen Tu Hsiu e Li Ta Chao, fundadores do Partido Comunista Chinês.
Não foi, portanto, de estranhar que, em 1921, Mao Tsé-Tung tenha participado na fundação do Partido Comunista Chinês. Nos primeiros anos à frente do partido, insistiu, contra a linha pró-soviética dos seus aliados, no potencial revolucionário do movimento camponês.
Seis anos depois da fundação do Partido, em 1927, Chiang Kai Shek assumiu o poder da China e também a luta contra os comunistas. Após a ruptura com o Kuomintang, Mao Tsé-Tung organizou um movimento revolucionário em Hunan e Jiangxi. Em Outubro de 1934, Mao Tsé-Tung e seu exército rompem o cerco das tropas do Kuomintang e seguem para o noroeste do país, iniciando a famosa Grande Marcha até Yanan, marcante acção que reafirma a sua independência do Kuomintang e torna definitivamente Mao uma personalidade dominante do Partido Comunista Chinês.
Como culminar dessa afirmação do poder, é em 1 de Outubro de 1949 que, da tribuna da Porta da Paz Celestial, mais conhecida por Tiananmen, Mao Tse-Tung proclama a República do Povo da China. Ainda hoje, nesse mesmo lugar permanece a sua foto que, curiosamente, é substituída todos os anos por outra exactamente igual. A partir dessa data, a Praça Tiananmen assistiu a inúmeros desfiles militares, estudantis e de trabalhadores, para assinalar a efeméride, mas também para mostrar às potências acreditadas o crescente poderio do país.
Quando, em 1959, o tenista de mesa Rong Guotuan se tornou o primeiro campeão do mundo chinês, Mao Tse-Tung encontrou no feito uma verdadeira “arma nuclear espiritual”. A competição tornou-se objecto de glória e de orgulho. A Escola de Shichahai foi criada naquele ano. Ainda hoje, exactamente meio século depois, numa economia global enformada pelo capitalismo, o desporto continua a constituir para a China um bastião de estabilidade nacional.
A luta pelo poder, na China, foi renovada em 1976, com a morte de Mao Tse-Tung e de Chu En-lai. Destacou-se então o chamado "Grupo Radical", liderado pela mulher de Mao, Jiang Qing, contra os partidários de Deng Xiaoping e Hua Guofeng, considerados direitistas. O grupo radical foi derrotado e da crise emergiu como figura máxima Deng Xiaoping. Com a sua ascensão ao poder, uma nova fase na vida da China se iniciava.
Do resto, pouco há a acrescentar. Já todos o sabemos. O mundo globalizou-se e a China emergiu como uma verdadeira potência à escala planetária. Entre o passado e o presente, o poder actual da China na economia à escala mundial não pode ser ignorado. E o papel de Mao Tsé-Tung nesta história muito menos.
 
Até para a semana. Directo à Questão.
publicado por Ricardo às 18:05
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Quinta-feira, 3 de Setembro de 2009

Sal, o Tempero da Vida: A propósito do "Itinerário do Sal" dos Miso Ensemble

 

 
Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão.
 
Em "Itinerário do Sal", o autor, actor e músico Miguel Azguime enche o palco numa genial performance interpretativa entre a palavra dita e o som ouvido. "Itinerário do Sal" apresenta-se ao público como uma “reflexão sobre a Criação e a Loucura, que gira em torno da linguagem, da palavra-sentido e da palavra-som; ambas tratadas como dimensões da voz, da voz enquanto extensão do corpo e ambas totalmente integradas na construção cénica como projecção tangível da ressonância das palavras através do som e da imagem".
O Itinerário que é proposto ao espectador questiona a ausência do próprio autor enquanto desdobramento e deslocação da sua personalidade criadora, colocando em cena a própria cena. Inevitavelmente idiossincrático, o espectáculo gira em torno do sentido das palavras e dos sons, que é ele próprio o sentido de tudo. Por isso ambicioso. Por isso inacabado. Sempre inacabado.
O sal, o tempero da vida, dá-lhe esse toque quasi-final, condimentando esta mistura verdadeiramente explosiva de linguagens, imagens, emoções, gestos e posturas. Entre a poesia sonora, o teatro musical e a arte performativa, "Itinerário do Sal" constitui um perturbante exercício de estilo que não deixa - nunca... - (nem sabe deixar) o espectador indiferente.
Com 20 anos de existência e mais de 400 concertos realizados, o Miso Ensemble é hoje amplamente reconhecido pela crítica e pelo público como o mais original, o mais criativo e o mais inovador dos agrupamentos portugueses de música contemporânea. Premiado no concurso Music Theatre NOW Berlim, em 2008, na categoria "Other Forms Beyond", o "Itinerário do Sal" parece o culminar de um projecto construído em cada dia da vida deste conceituado grupo.
Podia ter sido em Lisboa, em Viena ou até em Berlim, mas foi na Sertã que conheci esta obra-prima. Naquela que foi a primeira aparição deste espectáculo fora dos grandes palcos dos grandes centros urbanos (nacionais e internacionais), a Casa da Cultura da Sertã recebeu no passado dia 22 de Agosto um dos mais marcantes eventos que alguma vez passaram pela vila sertaginense. Os vinte minutos que o performer dedicou ao reduzido - mas interessado - público no final da frenética actuação, constituíram a prova da humildade e da grandeza do tal autor que se ausenta em busca da criação no meio do silêncio. Foi o sal do espectáculo.
 
Até para a semana. Directo à Questão.
publicado por Ricardo às 11:30
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