Sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010

A Reunião dos Ricos e a Reunião dos Pobres

 

Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão.
 
            Arranca hoje, em Davos, na Suíça, a reunião dos ricos, o Fórum Económico Mundial. Irónico é que é também esta semana, desde dia 25 e até dia 31, que decorre, no Brasil, este ano em várias cidades, a reunião dos pobres, o Fórum Social Mundial. Reflectimos sobre as diferenças entre estes dois eventos, que parecem ter apenas em comum a data em que se realizam. Será?
O Fórum Económico Mundial é uma organização sem fins lucrativos sedeada em Genebra. É famoso pelas reuniões anuais realizadas na estância de esqui de Davos, nos Alpes Suíços, nas quais reúne os principais líderes empresariais e políticos, bem como intelectuais e jornalistas seleccionados para discutir as questões mais urgentes que o mundo enfrenta. O Fórum Económico Mundial de Davos, onde Thomas Mann escreveu "A Montanha Mágica", é encarado pelos especialistas como o "fórum dos fóruns no mundo económico". É um encontro mundial de seis dias, que tem lugar há 30 anos, no final de Janeiro, onde líderes mundiais do mundo económico, político e académico se juntam para definir, discutir e lançar novas ideias e desafios. O Fórum de Davos é uma fundação suíça financiada por mais de mil empresas multinacionais. Este tipo de reuniões também se realiza noutras regiões do mundo, incluindo a Ásia, África e América Latina.
O Fórum Económico Mundial nasceu em 1970 quando Klaus Schwab, professor de Economia, tomou a iniciativa de convocar os chefes de Estado da Europa para um encontro informal na vila de Davos. Ao longo de três décadas, a modesta conferência europeia transformou-se numa instituição global capaz de aglomerar a elite mundial para se pronunciar sobre os grandes desafios da humanidade. O lema do Fórum de Davos é mesmo "melhorar a condição de vida no mundo". Antes de mais, pretende dar uma oportunidade à nata da intelectualidade para dialogar entre si e pôr em prática soluções que conduzam ao progresso económico.
Famosas são também as manifestações anti-globalização que, apesar de proibidas pelas autoridades suíças, continuam a marcar estas reuniões anuais. Para os manifestantes, a cimeira é símbolo de tudo o que de pior há na globalização: um mercado global e o aumento da importância do comércio internacional. Precisamente as ideias-chave que os organizadores consideram que definem melhor o fórum.
Já o Fórum Social Mundial é um evento organizado por movimentos sociais de diversos continentes, com objectivo de elaborar alternativas para uma transformação social global.
O número de participantes tem crescido nas sucessivas edições do Fórum Social Mundial: de 10 000 a 15 000 no primeiro fórum, em 2001, a cerca de 120 000 em 2009, com predominância de europeus, norte-americanos e latino-americanos, excepto em 2004, quando o evento foi realizado na Índia.
Ao contrário do Fórum Económico, que reúne uma elite mundial fechada, o Fórum Social Mundial é um espaço aberto de encontro para o aprofundamento da reflexão, o debate democrático de ideias, a formulação de propostas, a troca livre de experiências e a articulação de vontades. Recebe entidades e movimentos da sociedade civil que se opõem ao neoliberalismo e ao domínio do mundo pelo capital e por qualquer forma de imperialismo e estão empenhadas na construção de uma sociedade planetária orientada a uma relação fecunda entre os seres humanos e destes com a Terra.
Em Davos, portanto, decorre a reunião dos ricos, das elites e dos representantes do poder económico global. Enquanto no Brasil, decorre a reunião dos pobres, dos representantes da sociedade civil e dos movimentos sociais.
Enquanto o lema do Fórum de Davos é "melhorar a condição de vida no mundo”, o lema do Fórum Social Mundial é “Um outro mundo é possível”. Parece o mesmo. Mas não é. Quem tem o poder para mudar o mundo não o promete.
 
Até para a semana. Directo à Questão.
 
publicado por Ricardo às 11:27
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Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010

O Grande Tema para a Nova Década: O desafio das redes sociais (II)

Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão.
 
Myspace. Facebook. Hi5. Blogosfera. Orkut. YouTube. Twitter. Flickr. Second Life. Linkedln. São expressões que fazem cada vez mais parte do quotidiano de milhões e milhões de pessoas, instituições e empresas. Qual a influência deste tipo particular de fenómeno da era digital? Prosseguimos hoje a nossa reflexão sobre o desafio das redes sociais da Internet, aquele que é, em nossa opinião, o maior dos desafios com que se depara a humanidade na segunda década do século XXI.
Nos últimos dias, registou-se algo absolutamente insólito: o número de mensagens no Twitter ultrapassou o número de seres humanos. Na altura da notícia, havia 6.791 milhões de pessoas na Terra e 6.930 milhões de tweets, ou seja, o número de mensagens colocadas naquela rede social excede o número de pessoas no mundo. Mas há mais números impressionantes. O número de utilizadores das redes sociais na internet é de tal grandeza que, se todos habitassem no mesmo país, este seria o 3º mais populoso do planeta. No caso português, segundo a Comscore, somos o 3º país europeu com maior penetração das redes sociais.
Na actualização de Dezembro do estudo do blogger italiano Vincenzo Cosenza “World Map of Social Networks”, é dito que o Facebook continua a sua colonização do mundo com mais de 350 milhões de utilizadores. É a rede social líder em 100 dos 127 países analisados. As excepções são a Índia e o Brasil, onde domina o Orkut. E o Hi5, que em Dezembro era líder nos Camarões, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México e Nicarágua, Perú, Portugal, Roménia, Tailândia e Mongólia.
As redes sociais constituem verdadeiros espaços de partilha de afectos e de estabelecimento de pontes de proximidade entre as pessoas. Uma partilha de textos, de opiniões, de músicas, de fotografias, de vídeos, enfim, uma efectiva partilha de conhecimento. E a uma escala universal. Não é por acaso que praticamente todas as grandes marcas de consumo globais já estão nas redes sociais. O mesmo é válido relativamente às instituições e organizações públicas.
Ao nível da comunicação social, as redes sociais causaram uma verdadeira revolução. O jornalismo deixou de deter, em exclusivo, o poder de moldar a opinião pública. As redes sociais da internet, e em especial os blogues, são os principais responsáveis pela criação de um verdadeiro novo paradigma a este nível. Este novo, rápido e eficiente veículo de circulação da informação revolucionou maneiras de pensar e criou novos “fazedores de opinião”. A imprensa escrita foi, sem dúvida, a principal vítima desta circulação de informação a uma velocidade e por canais nunca antes vistos. No entanto, parece-nos que não perdeu o seu lugar no quotidiano dos cidadãos, muito pelo contrário. Teve foi de adaptar-se a esta nova realidade. Não é por acaso que os blogues e as páginas do Twitter mais famosas pertencem a jornalistas ou a colunistas de jornais famosos. Não é por acaso que a maioria das publicações escritas tem o seu sítio na net ou a sua própria rede social. A comunicação social nunca mais voltará a ser a mesma.
É também inevitável uma mudança significativa ao nível do marketing. Toda a comunicação com o consumidor e a relação com os seus hábitos de compra ganha um novo protagonismo. O cargo de director de comunicação para a blogosfera pode começar a fazer parte da estrutura de direcção das maiores empresas.
Claro que estas redes sociais não são imunes a perigos e a ameaças, sobretudo no que concerne à violação de privacidade e à criação de verdadeiros vícios. As equipas de gestão tenderão mesmo a limitar aos colaboradores o uso de redes sociais como forma de aumentar a produtividade. Mas não podemos fazer delas um bicho de sete cabeças. Elas estão aí e para ficar. Cada vez com um maior peso social.
 
Até para a semana. Directo à Questão.
 
publicado por Ricardo às 15:26
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Quinta-feira, 14 de Janeiro de 2010

O Grande Tema para a Nova Década: O desafio das redes sociais (I)

 

Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão.
 
            Na última semana, foi noticiado que o Facebook ultrapassou pela primeira vez o Hi5 em número de visitas diárias em Portugal, mas não em número de utilizadores. Falamos de toda uma nova realidade. As redes sociais, que povoam a Internet e também cada vez mais o dia-a-dia de todos nós. O Myspace, o Facebook, o Hi5, a blogosfera, o Orkut, o YouTube, o Twitter, o Flickr, o Second Life ou o Linkedln, fazem parte do quotidiano de milhões e milhões de pessoas, instituições e empresas. Estas redes constituem provavelmente o maior desafio da nova década. Qual a influência deste tipo particular de fenómeno da era digital no quotidiano de cada um de nós? Discutimos nas nossas próximas reflexões o desafio das redes sociais na segunda década do século XXI.
2008. Campanha de Barack Obama rumo à presidência dos Estados Unidos da América. Nunca antes um político beneficiou tanto do poder das redes sociais. Se é verdade que não foi o pioneiro - a Jonh Kerry devem ser dados os louros - teve o mérito de ter sido o que melhor a soube aproveitar em seu benefício – através delas angariou mais de 500 milhões de dólares, permitiu o contacto entre apoiantes em diferentes pontos dos EUA, formou inúmeros grupos de trabalho local, colocou mais de 1800 vídeos promocionais no canal próprio Youbama e mais de 20 mil fotografias de campanha no Flick, sem esquecer o movimento cívico “do-it-yourself” com 2 milhões de apoiantes através da rede social própria “mybarackobama.com”. No dia 4 de Novembro, o decisivo dia das eleições norte-americanas, imediatamente antes de sair para Chicago, onde fez o seu discurso de vitória à nação, Barack Hussein Obama terá ligado o seu computador para escrever o seguinte: "Vou agora para o Grant Park falar com todos os que estão lá reunidos, mas queria escrever-te primeiro. Acabámos de fazer história. E eu não quero que te esqueças como o fizemos. Temos ainda de fazer muito para voltar a por o nosso país nos eixos. Vou voltar a contactar-te sobre o que se segue." Foi um dos primeiros actos do novo Presidente dos Estados Unidos da América. Minutos depois, todos os que se tinham registado na página de Obama na internet receberam esta mensagem no seu email. A campanha estima que tivessem sido cerca de 3,1 milhões em todo o mundo.
Mas há mais.
Recentemente, uma página de apoiantes de Manuel Alegre aberta no Facebook confundiu jornalistas, que noticiaram um arranque da candidatura oficial daquele político. A página intitula-se “Manuel Alegre para Presidente da República em 2011″, foi elaborada por pessoas ligadas ao PS e a Manuel Alegre e entre os primeiros “fãs” estão nomes que o apoiaram anteriormente, mas nenhuma indicação no grupo permite concluir tratar-se de uma página oficial. O próprio jornal i chegou a afirmar: “o candidato presidencial Alegre já está nas redes sociais“. Contudo, à comunicação social, Manuel Alegre já confirmou que não esteve na origem da criação da página, que serve apenas para reunir apoiantes do ex-candidato e possível recandidato a Presidente da República. Contudo, o seu peso na decisão de Alegre deverá ser inegável.
Mas há mais.
Decorre a maior e mais exigente competição de todo o terreno à escala mundial. O Dakar 2010 é na Argentina e no Chile, mas a prova do piloto português Carlos Sousa está a ser noticiada em tempo real na Internet, usando, claro, as redes sociais. É assim que chega a informação ao público e feito muito do contacto com jornalistas e publicações. No Twitter, a conta de Carlos Sousa faz o acompanhamento das etapas do Dakar em directo, fornecendo pormenores e informações também de carácter noticioso. Já na página do Facebook do piloto existe um envolvimento mais pessoal, não apenas porque Carlos Sousa já faz, ele próprio, entradas na conta, mas também na medida em que as declarações são reproduzidas com grande amplitude e num registo multimédia.
São exemplos do peso e da importância das redes sociais da internet nos dias de hoje. Na próxima semana, prosseguimos a nossa reflexão sobre aquele que consideramos o maior desafio para a nova década.
 
Até para a semana. Directo à Questão.
 
publicado por Ricardo às 10:24
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Quinta-feira, 7 de Janeiro de 2010

A importância de Louis Braille e do seu sistema de leitura para cegos

 

Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão.
 
A 6 de Janeiro de 1852, faz hoje 158 anos, falecia, vitima de tuberculose, Louis Braille, criador do sistema de leitura para deficientes visuais.
Braille nasceu a 4 de Janeiro de 1809, numa pequena aldeia francesa chamada Coupvray, decorrendo ainda actualmente um vasto programa comemorativo do bicentenário do seu nascimento. Perdeu a visão aos três anos de idade, em consequência de um acidente ocorrido enquanto brincava com apara de couro na oficina de seu pai.
Em face da sua enorme capacidade de aprendizagem, aos 10 anos ingressou no Institut Royal des Jeunes Aveugles de Paris. Na Escola de Cegos Valentin Hauy, destacou-se na aprendizagem de órgão, tornando-se organista de profissão. Mais tarde, assumiu a direcção da escola que o acolheu, onde veio inclusive a leccionar, tendo ainda iniciado muitos jovens deficientes visuais nas lides musicais.
Na década de 20 do século dezanove, Louis Braille terminou o desenvolvimento da sua técnica de escrita e leitura. O famoso sistema de escrita em Braille surgiu a partir da combinação de seis pontos, os quais, utilizados em diferentes posições, permitiram a criação de um alfabeto com caracteres em relevo. Foi inspirado num código, inventado pelo Capitão do exército francês, Charles Barbier, que o utilizou para comunicar com os seus soldados, em tempo de guerra, consistindo o mesmo código na combinação de traços e de pontos em relevo, a fim de não atrair as atenções do inimigo.
De uma actualidade impressionante, com excepção de algumas pequenas melhorias, o sistema de leitura de Braille mantém-se quase inalterável até aos dias de hoje. O método, que adoptou o nome do seu autor, foi sendo adaptado à generalidade das línguas e grafias, permitindo aos deficientes visuais aceder à escolarização normal, à informação, contribuindo, desta forma, para a sua integração social.
O Sistema Braille foi uma janela que se abriu no vasto universo da cultura, permitindo que as pessoas cegas nele pudessem penetrar, através da escrita e da leitura. Até então, outros sistemas haviam sido utilizados, nomeadamente, o uso de letras móveis, as quais eram de dimensões bastante ampliadas, o que dificultava o seu manuseamento na construção de palavras, não sendo os seus resultados tão eficazes, em relação ao esforço despendido.
Braille faleceu em 1852, vítima de doença, tendo dedicado toda a sua vida à defesa dos direitos dos cegos, que na altura eram considerados por muitos como um peso morto para a sociedade. Hoje, o Braille continua ser utilizado em conjunto com os mais evoluídos equipamentos e mais modernas tecnologias, mostrando-se sempre eficiente. Uma porta aberta à inclusão de um grupo específico de incapacidade, que, apesar das limitações, pode assim participar de uma forma mais activa nessa sociedade tantas vezes injusta para com os portadores de deficiência visual.
Há dois séculos atrás, Louis Braille abria a janela para um novo futuro de muitos cidadãos em todo o mundo.
 
Até para a semana. Directo à Questão.
 
publicado por Ricardo às 11:50
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