Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2010

A Propósito do Aniversário da morte de Zeca Afonso

 

 
Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão.
 
A 23 de Fevereiro de 1987, fez ontem vinte e três anos, morria, em Setúbal, o compositor português de música de intervenção, José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos. Para a história, ficou conhecido como Zeca Afonso.
Zeca Afonso nasceu em Aveiro, a 2 de Agosto de 1929, filho de um magistrado e de uma professora primária. A infância reparte-se entre Aveiro, Angola, Moçambique, Belmonte e Coimbra, devido às sucessivas deslocações profissionais do pai.
Em Coimbra, estudante do Liceu D. João III, conhece o guitarrista António Portugal e começa a interessar-se pela música. Em fins da década de 40, já aluno de Ciências Histórico-Filosóficas da Faculdade de Letras de Coimbra, destaca-se, à semelhança do irmão, como cantor de fados na cidade dos estudantes. É ainda pela Lusa Atenas que, em 1953, grava o seu primeiro disco, com «Fado das Águias» e outras canções. Em 1960 grava a «Balada de Outono» e, posteriormente, de modo irregular, vai gravando alguns EPs, até 1964, ano em que parte para Moçambique.
De regresso a Portugal, em 1967, é pela primeira vez editado em «long playing» com «Baladas e Canções», historicamente o seu primeiro álbum, que recolhe gravações anteriores à sua partida para Moçambique. Expulso do ensino por razões políticas, dedica-se mais assiduamente à música e inicia um período de gravações regulares com «Cantares do Andarilho», em 1968, e «Traz outro Amigo Também», em 1970. No ano seguinte edita «Cantigas do Maio», momento absolutamente marcante na história da música portuguesa.
Em 1972 participa no Festival Internacional da Canção do Rio de Janeiro, onde apresenta o tema «A Morte Saiu à Rua». Participa activamente no III Congresso da Oposição Democrática, em Aveiro, em Março de 1973, onde estreia em público «O Que Faz Falta». Nesse mesmo ano, publica «Venham mais Cinco» e envolve-se na politica activa junto de grupos de vários sectores de esquerda, designadamente com o Partido Comunista Português.
Em 29 de Março de 1974 participa no Encontro da Canção, no Coliseu dos Recreios, onde a censura não lhe permite cantar mais do que duas canções: «Milho Verde» e «Grândola Vila Morena». Menos de um mês depois, a 25 de Abril, viria a ser esta a emblemática senha do Movimento das Forças Armadas para o início da Revolução dos Cravos.
Em 1982 visita Moçambique e é recebido pelo Presidente Samora Machel com honras semelhantes às de um chefe de Estado. Entretanto, é-lhe diagnosticada uma doença incurável - esclerose lateral amiotrópica - caracterizada pela destruição lenta e progressiva do tecido muscular.
Em 1983 realiza os últimos espectáculos, nos coliseus de Lisboa e Porto. Publica o disco «Ao Vivo no Coliseu» e um fabuloso LP de originais, «Como Se Fora Seu Filho». Em 1985 publica o derradeiro disco, «Galinhas do Mato», onde já só dá voz a dois dos temas. Morre, no hospital de Setúbal, na madrugada de 23 de Fevereiro de 1987.
Recordamos aqui “A Formiga no Carreiro”, um dos seus mais marcantes temas.
 
A formiga no carreiro
Vinha em sentido cantrário
Caiu ao Tejo
Ao pé dum septuagenário
Larpou trepou às tábuas
Que flutuavam nas àguas
E de cima duma delas
Virou-se prò formigueiro
Mudem de rumo
Já lá vem outro carreiro
A formiga no carreiro
Vinha em sentido diferente
Caiu à rua
No meio de toda a gente
Buliu buliu abriu as gâmbias
Para trepar às varandas
E de cima duma delas
Virou-se prò formigueiro
Mudem de rumo
Já lá vem outro carreiro
A formiga no carreiro
Andava a roda da vida
Caiu em cima
Duma espinhela caída
Furou furou à brava
Numa cova que ali estava
E de cima duma delas
Virou-se prò formigueiro
Mudem de rumo
Já lá vem outro carreiro
 
 
Até para a semana. Directo à Questão.
 
publicado por Ricardo às 09:18
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Sexta-feira, 19 de Fevereiro de 2010

A Propósito do Aniversário da Morte de Molière

 

Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão.
 
A 17 de Fevereiro de 1673, faz hoje precisamente 337 anos, morria na cidade de Paris o comediógrafo francês Jean-Baptiste Poquelin, mais conhecido como Molière.
Filho de um artesão parisiense, Poquelin ficou órfão da mãe quando ainda era criança. Entrou em 1633 na prestigiada escola de Jesuítas do Collège de Clermont, onde completou a sua formação académica em 1639. Quando chegou aos 18 anos, o seu pai passou-lhe o título de Tapeceiro ordinário do rei e o cargo associado de criado de quarto, pelo que teve desde cedo contacto com o rei.
Desde cedo se interessou pelo teatro que estava muito na moda na altura, principalmente depois de Luís XIII, a pedido de Richelieu (que também era apreciador desta arte), ter honrado a profissão de comediante com um código de moralidade. Em Junho de 1643, juntamente com a sua amante Madeleine Béjart e um irmão e uma irmã dela, fundou a troupe de teatro L'Illustre Théâtre.
 Fazem algumas actuações na província e, em 1644 apresentam-se em Paris, no Jogo da Péla dos Métayers. Nesta altura passa a dirigir a companhia, que, entretanto, entra na bancarrota em 1645. A partir dessa altura assumiu o pseudónimo de Molière, inspirado no nome de uma pequena aldeia do sul de França. A falência da companhia valeu-lhe algumas semanas de prisão por causa das dívidas. Foi libertado graças à ajuda do pai. Partiu, então, numa tournée pelas aldeias como comediante itinerante. Esta vida errante durou cerca de 14 anos, durante os quais actuou com a companhia de Charles Dufresne.
Molière chegou a Paris em 1658, onde apresentou no Louvre a tragédia Nicomède de Corneille e a sua pequena farsa “O Médico Apaixonado”, peças que haveriam de projectar definitivamente a sua obra. Apesar da sua preferência pelo género trágico, Molière tornou-se famoso pelas suas farsas, geralmente de um só acto e apresentadas depois de uma tragédia.
A crítica à hipocrisia religiosa levantou contra Molière o clero católico, que conseguiu proibir “Tartuffe” por cinco anos e “Dom Juan ou O banquete de pedra”, obra da mesma época, por toda a vida do autor. Em 1665, contudo, Molière conseguiu outro triunfo clamoroso com “O Misantropo”, paródia de um personagem de princípios rígidos que não considera ninguém digno de comparar-se com ele e, para além de sua absurda arrogância, ignora, como muitos dos protagonistas do comediógrafo francês, a sua verdadeira natureza.
Depois das peças “Médico à Força” e “Anfitrião, Molière criou “O Avarento”, uma das suas obras-primas. A paradoxal condição do personagem central, desumano na sua paixão pelo dinheiro e desejoso ao mesmo tempo de amor e respeito, foi descrita por Goethe como mais trágica do que cómica. De qualquer modo, a comicidade da obra repousa não na farsa hilariante, mas na percepção da ambiguidade da natureza humana e, talvez por essa razão, foi pouco apreciada.
Os últimos anos da vida de Molière foram marcados por uma contínua degradação em sua saúde. Apesar disso, ele foi capaz de produzir comédias notáveis como “O Burguês Fidalgo” e “As Sabichonas”. Nelas, como em toda sua obra, Molière mostra o principal recurso estilístico que soube criar e que transformaria toda a arte da comédia: a utilização precisa do diálogo, da interacção entre as diferentes personagens, com uma linguagem adequada à natureza e ao nível social de quem o empregava, fossem eles nobres, burgueses, farsantes ou criados.
Em 17 de Janeiro de 1673, enquanto representava no palco o protagonista da sua última contudo uma das suas mais admiráveis obras, “O Doente Imaginário”, Molière sofreu um repentino colapso e morreu poucas horas depois, na sua casa de Paris. Como foi referido com frequência na época e ainda hoje com alguma ironia, não foi assim tão de estranhar que o mestre do duplo sentido e da dissimulação tenha encerrado a sua admirável vida e brilhante carreira no momento em que encarnava um falso doente.
Génio da literatura francesa e universal, Molière adoptou as formas tradicionais da comédia e revitalizou-as num novo estilo, em que os contrários se confrontam, em que as antíteses se definem: a verdade opõe-se à falsidade, a inteligência ao pedantismo. Esse estilo, unido à aguda percepção do absurdo da vida quotidiana, deu às obras de Molière um carácter inimitável.
 
Até para a semana. Directo à Questão.
publicado por Ricardo às 09:51
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Sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2010

A Segurança, a Higiene e a Saúde no Trabalho

 

Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão.
 
A existência de condições de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho constitui o requisito essencial para que qualquer trabalhador se sinta bem no seio de uma organização, o que, necessariamente, se traduz numa postura positiva perante o trabalho e na melhoria do desempenho profissional. Deve constituir prioridade de execução de qualquer organização proporcionar a todos os seus trabalhadores condições de trabalho que garantam a sua realização pessoal e profissional.
A evolução de ordem técnica, económica e social dos contextos organizacionais tem vindo a gerar novos riscos ocupacionais, passíveis de romper o equilíbrio físico, mental e social do trabalhador, e uma consequente necessidade de desenvolver técnicas e metodologias para o seu controlo efectivo. O velho slogan da NASA “failure is not an option” (falhar não é opção) revela-se apropriado para descrever o desafio colocado aos sistemas organizados modernos, no tocante à prevenção de riscos profissionais. Para um público cada vez mais consciente e informado, os problemas ligados à segurança, à saúde e ao ambiente são cada vez menos aceitáveis. Muito embora ninguém acredite que a perfeição seja possível, não deixa de ser notável, no panorama actual, uma crescente procura de condições óptimas de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho.
Nesta perspectiva se compreende o relevo particularmente significativo que o ordenamento jurídico-constitucional português reservou à temática da Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho, bem como o subsequente emergir, no contexto organizacional nacional – tanto no sector público como no privado –, de Serviços de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho, com a missão explícita de polarizar a gestão da prevenção de riscos profissionais.
Neste sentido, a prevenção dos acidentes de trabalho e das doenças profissionais constitui-se como um importante aspecto social para a organização e para a própria política de saúde de um país, na perseguição de uma crescente e constante melhoria das condições de vida da população. É neste prisma que a Segurança, Saúde e Ambiente são, actualmente, considerados pela Organização das Nações Unidas e pela União Europeia como sendo factores indicadores das condições de trabalho, no sentido lato da expressão.
Ainda sob outro ângulo, a Segurança, Saúde e Ambiente apresentam-se como excelentes soluções económicas, dado que tendem a reduzir os acidentes, a abstinência laboral e aumentarem a satisfação no trabalho, acarretando benefícios económico-financeiros directos e indirectos para a gestão. 
A Segurança no Trabalho diz respeito ao conjunto de medidas técnicas, educacionais, médicas e psicológicas empregues para prevenir acidentes, quer eliminando as condições inseguras da envolvente, quer sensibilizando e instruindo os trabalhadores para a adopção de práticas preventivas.
Já a Higiene no Trabalho refere-se ao conjunto de normas e procedimentos que visa a protecção da integridade física e mental do trabalhador, preservando-o dos riscos de saúde inerentes às tarefas do cargo e ao ambiente físico onde são executadas. Tem um carácter eminentemente preventivo, na medida em que objectiva a saúde e o conforto do trabalhador, designadamente, mediante o diagnóstico e a prevenção das doenças ocupacionais, evitando assim que este se ausente provisória ou definitivamente do trabalho. Envolve, pois, o estudo e controlo das condições ambientais de trabalho que influenciam o comportamento humano.
A Saúde no Trabalho, por seu turno, concerne o domínio da vigilância médica (exames médicos individuais de avaliação da saúde), estendendo-se igualmente ao controlo dos elementos físicos e psicológicos que possam afectar a saúde dos trabalhadores.
A avaliação, o controlo e a prevenção dos aspectos do trabalho passíveis de prejudicar a integridade física e psicológica dos trabalhadores cabem, nas organizações modernas, aos Serviços de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho, que devem polarizar e articular um conjunto de instrumentos, meios técnicos e procedimentos orientados para o fim último de atingir níveis de segurança, higiene saúde e bem-estar elevados.
 
Até para a semana. Directo à Questão.
 
publicado por Ricardo às 17:26
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