Sexta-feira, 21 de Maio de 2010

Sobre o Impacto da Mexida no Rating de Portugal por Parte da Standard & Poor’s (II)

Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão.

 

Na continuação da nossa última reflexão, tentamos hoje perceber o impacto do corte em dois níveis do rating de longo prazo da dívida portuguesa de A+ para A- por parte da agência de notação financeira Standard & Poor’s.

A Standard & Poor's é uma divisão do grupo McGraw-Hill que publica análises e pesquisas sobre bolsas de valores e títulos. É uma das três maiores companhias nesse segmento, ao lado da Moody's e da Fitch Ratings.

A história da Standard & Poor's tem início em 1860, quando Henry Varnum Poor publica o History of Railroads and Canals in the United States. Esse livro foi uma tentativa de compilar o máximo de informações sobre as companhias ferroviárias americanas. Henry Varnum fundou então a H.V. and H.W. Poor Co em parceria com seu filho, Henry William, que passou a publicar edições anuais actualizadas desse livro, divulgando os dados de cada ano.

Em 1906, Luther Lee Blake fundou o Standard Statistics Bureau, tendo em vista o levantamento de informações financeiras sobre companhias não ferroviárias. Ao invés de uma publicação por ano, a Standard Statistics efectuava actualizações mais frequentes.

A Standard & Poor’s, tal como é conhecida hoje, surgiu em 1941 com a fusão da Poor's Publishing (a companhia sucessora da H.V and H.W Poor Co) com a Standard Statistics, tendo então passado por uma reestruturação que a conduziu ao actual modelo de negócios. Em 1966, a Standars & Poor’s foi adquirida pela The McGraw-Hill Companies, se tornando a divisão financeira dessa conhecida editora mundial.

A Standard & Poor's é a mais conhecida e reconhecida agência de rating de crédito. Enquanto tal, fornece ratings de crédito para o défice de companhias públicas e privadas. É uma das muitas agências de rating que foram designadas pela Nationally Recognized Statistical Rating Organization pela U.S. Securities and Exchange Commission.

As classificações da S&P vão de uma escala AAA a D. Os Ratings intermédios são oferecido em cada patamar entre AA e CCC (como por exemplo, BBB+, BBB e BBB-). Para alguns empréstimos, a Standard & Poor’s pode também oferecer informação (credit watch) com a seguinte denominação: positive, downgrade ou negative e uncertain ou neutral.

Apesar de alguma descredibilização actual das agências de rating, sobretudo depois de nenhuma delas ter sabido prever a crise económica mundial despoletada em 2008 pela falência do Lehman Brothers, quer a Standard & Poor's, quer a Moody's, quer a Fitch continuam a constituir as fontes de referência na obtenção dos ratings de crédito das dívidas públicas e privadas. Como tal, um corte nos níveis do rating de longo prazo da dívida de um país como Portugal coloca uma inevitável pressão sobre a dívida, fazendo subir os juros e penalizando os mercados bolsistas.

 

 

Até para a semana. Directo à Questão.

 

 

publicado por Ricardo às 10:05
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Sobre o Impacto da Mexida no Rating de Portugal por Parte da Standard & Poor’s (I)

 

Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão.

 

Depois de nas nossas últimas reflexões termos analisado alguns dos factores que estão na base do atraso competitivo português, continuamos hoje a falar de economia. Precisamente porque o assunto não podia continuar a estar mais na ordem do dia. Sobretudo depois de toda a convulsão económica provocada pela descida do rating da dívida pública portuguesa por parte da agência de notação financeira Standard & Poor's.

Analisamos nas nossas duas próximas reflexões o impacto desta decisão da Standard & Poor’s e tentamos perceber como funciona este mecanismo de regulação dos mercados.

O corte em dois níveis do rating de longo prazo da dívida portuguesa de A+ para A- por parte da Standard & Poor’s surge precisamente numa altura em que a pressão sobre a dívida portuguesa faz subir os juros e penaliza a bolsa.

A perspectiva da dívida pública portuguesa mantém-se particularmente negativa. Está inclusive a um passo de cair de escalão, já que o Outlook (ou perspectiva) da Standard & Poor's continua a ser negativo. Se isso acontecer, Portugal passará a ter um rating de "BBB+", igual ao da Grécia. Quanto à divida de curto prazo, o 'rating' português está agora na terceira posição, em A2.

A agência de 'rating' já havia cortado em Janeiro do ano passado o 'rating' de longo prazo da República Portuguesa de AA- para A+ e em Dezembro colocou a economia portuguesa sobre um Outlook negativo.

Esta decisão surge numa altura em que os mercados financeiros estão a penalizar Portugal, essencialmente devido aos receios de contágio vindos da Grécia. Neste grupo de risco encontram-se ainda países como a Espanha ou a Itália. Nas últimas semanas Portugal tem estado particularmente no centro das preocupações, quanto a um eventual incumprimento, elevando o 'spread' da dívida pública a máximos históricos.

Os responsáveis alemães foram os que mais reticências colocaram ao apoio à Grécia. Falamos de mais de 30 mil milhões de euros que serão emprestados pelos países do euro à Grécia, a que se juntam 15 mil milhões de euros que virão do Fundo Monetário Internacional. A Alemanha, responsável pela maior fatia do bolo, veio a público defender mais reformas e maior esforço à Grécia, mas o estado de convulsão social vivido nos últimos dias nas ruas da Grécia vem demonstrando que não será fácil recuperar a economia grega.

Na nossa próxima reflexão tentaremos perceber como funciona o rating da Standard & Poor's.

 

 

Até para a semana. Directo à Questão.

publicado por Ricardo às 10:05
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Segunda-feira, 10 de Maio de 2010

Algumas Reflexões Sobre o Atraso Competitivo Português (III)

 

 

Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão.

 

O atraso competitivo de Portugal é uma expressão que nos habituámos a ouvir e ler nos últimos anos e que assume uma conotação de um certo fatalismo à portuguesa, como se este nosso fado estivesse escrito nas estrelas por um Deus maior. Concluímos hoje a nossa reflexão sobre os factores históricos que condicionam o eterno atraso competitivo luso.

Eis-nos chegados a 1974 e ao mais importante marco histórico do passado recente português. A revolução de Abril, pondo cobro a uma forte concentração do poder económico num reduzido número de grupos económicos, prometia promover não só uma distribuição dos rendimentos mais igualitária como, através das nacionalizações, permitir acumulação de capital e reforçar a competitividade económica por via estatal. A verdade é que muitos dos objectivos foram irrealistas e as perturbações saídas da revolução provocaram inúmeros conflitos laborais com consequências bastante negativas. O aumento acentuado dos salários reais teve consequências na perda de competitividade de inúmeras unidades industriais, com a perda de produtividade e com consequentes perdas de vendas e de exportações. Destacam-se também a diminuição dos fluxos de turistas e das remessas de emigrantes e a fuga de capitais para o estrangeiro.

Apesar disso, este período fica definitivamente marcado como o início do alargamento da Segurança Social, da criação do Serviço Nacional de Saúde, da melhoria das infra-estruturas de transporte, saneamento e electrificação, importantes factores de desenvolvimento que puderam dotar o país de melhores condições para numa fase posterior aproveitar economias de escala e de proximidade. A aposta nas nacionalizações de empresas privadas veio a revelar-se ineficaz e, depois de 1986, verificou-se uma aposta no reforço da concorrência interna por via de uma crescente vaga de privatizações.

A adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia, em 1986, inaugurou um período muito importante para a competitividade nacional. Sob um contexto internacional extremamente favorável, Portugal soube aproveitar algumas das vantagens de que dispunha. A média de crescimento até 1994 cifrou-se nos 4,4% e coincidiu com a resolução dos problemas de desequilíbrios externos (sobretudo no défice da balança de pagamentos) e na promoção da melhoria das condições de competitividade por via da eficiência dos factores produtivos. A estabilidade política ajudou ao aumento do nível de vida nacional, com ganhos nos termos de troca e uma evidente, mas sustentada subida dos salários e pensões, que não colocaram em causa o equilíbrio macroeconómico. A inflação desceu consideravelmente ao longo deste período, bem como a taxa de desemprego. A afluência de Investimento Directo Estrangeiro permitiu dotar as unidades produtivas nacionais de melhor know-how, de capital para investimento e o desenvolvimento de alguns sectores considerados estratégicos, como tão bem diagnosticou Michael Porter no seu estudo da economia nacional.

Tal como no chamado período de ouro da economia portuguesa, também nesta fase foi seguida uma estratégia de promoção das exportações sobretudo por via da desvalorização competitiva da moeda nacional. Esta desvalorização fomentou a competitividade por via dos baixos custos salariais praticados em Portugal face à maioria dos países membros da CEE, recorrendo ao instrumento cambial. Esta estratégia, apesar de servir os interesses da indústria exportadora, foi altamente penalizadora para as importações nacionais e originou uma perda pontual de rendimento disponível por parte das famílias com uma subida ligeira da taxa de inflação.

Com a assinatura do Tratado que instituiu o mercado único europeu e entretanto abdicando da sua moeda em favor do euro, Portugal estabelecia no final dos anos 90 do século passado uma nova orientação para a sua estratégia de competitividade. A perda de controlo sobre a taxa de juro e da taxa de câmbio elevou o orçamento nacional ao mais alto patamar enquanto principal instrumento de política económica.

Portugal enceta, nesta altura, um caminho cujos expoentes para a competitividade passaram a ser a promoção da qualificação dos seus recursos humanos, a aposta na inovação nos produtos e serviços e difusão do conhecimento, bem como a orientação para a concorrência pela qualidade e não tanto pelo preço. Sobretudo após a adesão de novos estados membros, do leste da Europa, a competitividade portuguesa é marcada por um confronto entre os modelos do passado, assentes em custos salariais reduzidos e na promoção de preços competitivos, e a promoção da excelência da sua criação de produtos e serviços inovadores baseados em mais valias das competências dos seus recursos humanos. Esta encruzilhada, num contexto de crise macro-económica à escala global, de regras apertadas em termos orçamentais por via das restrições do Pacto de Estabilidade e Crescimento e de divergências face ao crescimento com os restantes parceiros europeus, hoje mais do que nunca, coloca a competitividade nacional na ordem do dia em termos de prioridade estratégica.

 

 

Até para a semana. Directo à Questão.

 

publicado por Ricardo às 14:05
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Algumas Reflexões Sobre o Atraso Competitivo Português (II)

 

Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão.

 

O atraso competitivo de Portugal é uma expressão que nos habituámos a ouvir e ler nos últimos anos e que assume uma conotação de um certo fatalismo à portuguesa, como se este nosso fado estivesse escrito nas estrelas por um Deus maior. Prosseguimos hoje a nossa reflexão sobre o eterno atraso competitivo português.

Como vimos na última semana, a competitividade da economia portuguesa desde a década de 60 até às vésperas da revolução de 25 de Abril de 1974 foi baseada num reforço da industrialização, factor promotor das exportações, sempre com uma necessária abertura ao exterior desde que esta não pusesse em causa a regra de ouro de um orçamento equilibrado. A crescente liberalização comercial resultante da entrada na EFTA (em 1960) e do protocolo estabelecido com a Comunidade Europeia (em 1971), promoveu um desenvolvimento económico baseado nas vantagens comparativas da economia face ao exterior e no estabelecimento de regras especiais nesta relação com os restantes países.

Este quadro político e económico teve como consequência a perda de eficiência dos recursos produtivos utilizados, em face da fraca concorrência sectorial determinada pela lei do condicionamento industrial. A desigualdade na repartição do rendimento era marcante, mas ia ao encontro da opção económica tomada: não estimular a procura interna para restringir as importações de bens e serviços. Ainda que o país tivesse assistido a uma enorme repressão de movimentos, muito por culpa dos processos de descolonização e democratização do país, este período foi, ainda assim, relevante na promoção de infra-estruturas, como a electrificação do país ou a protecção das indústrias nascentes.

O período de 1974 a 1985 fica marcado por um taxa de crescimento económico bastante inferior ao anterior (cerca de 2,5% de crescimento médio), com uma intermitência entre períodos de recuperação e de crise. Muitas das causas que estão na origem de um elevado aumento da inflação (cerca de 13% em 1980) e do desemprego (cerca de 10% em 1980) prenderam-se com o contexto externo desfavorável à economia nacional.

Os dois choques petrolíferos coincidiram em larga medida com a necessidade de estabelecer acordos de estabilização com o Fundo Monetário Internacional. O encarecimento dos produtos petrolíferos provocou um recuo das exportações e uma crescente inflação por via dos custos. Esta situação originou um desequilíbrio nas contas externas, na Balança de Pagamentos, com evidentes repercussões no nível de vida da população nacional e das condições de competitividade.

Mas não só os factores externos estiveram na origem nesta fase de turbulência nas condições de concorrência nacionais face ao exterior.

A descolonização provocou, não só uma diminuição acentuada das exportações para as ex-colónias, mas também um aumento do desemprego e um consequente agravamento das despesas do Estado. Estima-se que tenham entrado em Portugal neste período perto de 600 mil pessoas regressadas das ex-colónias. A sua integração na estrutura produtiva nacional não foi fácil, embora esta entrada também tenha proporcionado a Portugal um reforço do empreendorismo e um aumento do dinamismo da sociedade lusa. 

Prosseguimos na próxima semana a nossa reflexão sobre a história da competitividade lusa.

           

 

Até para a semana. Directo à Questão.

 

publicado por Ricardo às 14:04
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Algumas Reflexões Sobre o Atraso Competitivo Português (I)

 

Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão.

 

O atraso competitivo de Portugal é uma expressão que nos habituámos a ouvir e ler nos últimos anos e que assume uma conotação de um certo fatalismo à portuguesa, como se este nosso fado estivesse escrito nas estrelas por um Deus maior. Do mesmo modo, proliferam as receitas milagrosas que, qual panaceia para todos os males, vários cronistas se apressam a fornecer através dos diversos media, prometendo um crescimento “rápido e sustentado”.

Nas palavras de Landes, “a análise económica acalenta a ilusão de que uma boa razão deve ser suficiente, mas as determinantes estão interligadas. As explicações monocausais não funcionarão”. A verdade é que também os factores subjacentes ao atraso de competitividade nacional são múltiplos e com diferentes ponderações. Com efeito, variáveis geográficas, históricas, sociológicas, antropológicas, psicológicas, culturais e até variáveis não racionalizáveis como a sorte interagem e confluem na realidade que conhecemos.

Nas nossas três próximas reflexões analisamos o atraso competitivo português sob uma perspectiva histórica.

A competitividade da economia nacional pode ser dividida em vários períodos, temporalmente bem definidos, de acordo com acontecimentos exteriores e intrínsecos à dinâmica no seio da sociedade portuguesa, cada qual com especificidades próprias.

O período após a 2ª guerra mundial é marcado por uma aposta numa industrialização baseado na substituição das importações. Falamos aqui de um certo proteccionismo, Portugal orgulhosamente só.

O período de 1960 até 1973 fica marcado por um forte crescimento chegando a taxa média de crescimento a 6,9%. Este crescimento foi conseguido muito por culpa da alteração do peso relativo dos sectores de actividade, de equilíbrio macroeconómico e da abertura da economia nacional ao exterior.

Neste período a agricultura perdeu mais de meio milhão de trabalhadores, tendo a indústria recuperado não só no seu peso relativo no que diz respeito ao PIB como conheceu uma maior diversificação, aumentou a sua produtividade e sentiu uma reorganização com vista à exportação. Nos serviços houve lugar a uma alteração na sua composição, com a modernização dos serviços financeiros, de transportes ou nas comunicações.

Os equilíbrios macroeconómicos conseguidos permitiram manter baixa a inflação (cerca de 5%), com um desemprego moderado e finanças públicas equilibradas mesmo com um aumento do lado da despesa em virtude do financiamento da guerra colonial.

A abertura da economia ao exterior permitiu a intensificação de laços de interdependência com as restantes economias europeias. Este movimento de abertura permitiu atrair capitais quer através do Investimento Directo Estrangeiro resultante de um reforço na industrialização para exportação, quer através das Remessas de Emigrantes iniciada na década de 60.

A acumulação de reservas em ouro e divisas permitiu evitar défices orçamentais e proporcionou uma reduzida variação na taxa de juro, bem como a manutenção de uma taxa de câmbio estável. Esta estratégia cambial e orçamental visava introduzir estabilidade às crescentes trocas comerciais no seio da Europa. É evidente que foram necessários sacrifícios nas despesas de saúde, educação ou segurança social, mas Portugal apresentava uma situação sem problemas ao nível do desemprego ou do saldo da Balança de Pagamentos.

A nível interno, o governo de então apresentou Planos de Fomento que promoviam o aumento de investimentos em infra-estruturas, iniciativas estatais na criação de novas unidades produtivas ou benefícios fiscais e de crédito a novos projectos de índole industrial.

Prosseguimos na próxima semana a nossa reflexão sobre a história da competitividade lusa.

           

 

Até para a semana. Directo à Questão.

 

publicado por Ricardo às 14:02
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Os Cinco Anos Sobre a Abertura ao Público da Casa da Música

 

Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão.

 

A 14 de Abril de 2005, faz hoje cinco anos, abria as portas ao público, na cidade do Porto, o emblemático e sublime edifício da Casa da Música, obra do arquitecto holandês Rem Koolhaas. A abertura contou com concertos do grupo portuense Clã e do norte-americano Lou Reed. A inauguração oficial ocorreria no dia seguinte, com a presença de Jorge Sampaio, então Presidente da República Portuguesa.

Imaginada para assinalar o ano festivo de 2001, em que a cidade do Porto foi Capital Europeia da Cultura, a Casa da Música é o primeiro edifício construído em Portugal exclusivamente dedicado à música, seja no domínio da apresentação e fruição pública, seja no campo da formação artística e da criação.

O projecto Casa da Música foi definido em 1999, como resultado de um concurso internacional de arquitectura que escolheu a solução apresentada por Rem Koolhaas. As escavações iniciaram-se ainda em 1999, no espaço da antiga Remise, junto a um dos principais eixos de tráfego do centro da cidade do Porto, a Rotunda da Boavista. O lugar onde está actualmente o edifício era usado para recolha e reparação dos carros eléctricos que circulavam pela cidade do Porto.

O custo inicial previsto para a construção, excluindo o valor dos terrenos, era de 33 milhões de euros, acabando por derrapar para os 111,2 milhões de euros e ficando concluída quatro anos depois do prazo inicialmente previsto. A construção do edifício trouxe novos desafios à engenharia, de forma a conseguir a forma geométrica ímpar do imponente edifício.

A arquitectura da Casa da Música foi aclamada internacionalmente. Nicolai Ouroussoff, crítico de arquitectura do New York Times, classificou-o como “o projecto mais atraente que o arquitecto Rem Koolhaas já alguma vez construiu” e como “um edifício cujo ardor intelectual está combinado com a sua beleza sensual”. Compara-o também “ao exuberante projecto” do Museu Guggenheim Bilbao do arquitecto Frank Gehry, na cidade espanhola de Bilbao. Segundo aquele crítico, “olhando apenas o aspecto original do edifício, verifica-se que esta é uma das mais importantes salas de espectáculos construída nos últimos 100 anos”, comparanda-o à sala de espectáculos de Walt Disney, em Los Angeles e ao auditório da Berlim Philharmonic, na capital alemã.

A Casa da Música possui dois auditórios principais, embora outras áreas do edifício possam ser adaptadas para concertos ou espectáculos. O maior auditório tem uma capacidade inicial de 1 238 lugares, mas a sua dimensão pode ser variável. O auditório mais pequeno é completamente flexível, não sendo publicitado um número fixo de lugares, embora possa ser definida uma média de 300 lugares sentados e 650 lugares de pé, dependendo do tamanho e da localização do palco, da disposição das cadeiras e da presença e do tamanho do equipamento de som e de gravação. No topo do edifício, existe um terceiro espaço para espectáculos, projectado para 250 lugares.

Como é dito no seu sítio oficial na Internet, a Casa da Música foi concebida para ser a casa de todas as músicas, integrando-se no processo de renovação urbana da cidade invicta e numa rede de equipamentos culturais à escala metropolitana e mundial. É uma instituição que acolhe um projecto cultural inovador e abrangente e que assume a dinamização do meio musical nacional e internacional, nas mais variadas áreas, da clássica ao jazz, do fado à electrónica, da grande produção internacional aos projectos mais experimentais.

 Para além de concertos, recitais e performances, a Casa da Música promove encontros de músicos e musicólogos, investindo na procura das origens da música portuguesa. Define-se também enquanto plataforma cultural aberta a cruzamentos entre a música e outras áreas de criação artística e de conhecimento, um espaço aberto a todos os públicos e a todos os criadores.

Um local de visita obrigatório para os amantes da música. E não só.

 

 

Até para a semana. Directo à Questão.

 

publicado por Ricardo às 14:01
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