Sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Oitenta anos sobre o Crash de 1929: Uma reflexão entre o passado e o presente da economia mundial

 

Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão.
 
Passam oitenta anos sobre o Crash de 1929. Foi um dos crashes bolsistas mais devastadores da história Americana e mundial. A Quinta-feira negra, o crash inicial, deu-se a 24 de Outubro de 1929. Cinco dias mais tarde, ocorreu a famosa Terça-Feira negra. No dia 29 de Outubro de 1929 estava semeado o pânico geral.
A Quinta-feira negra, e depois a Terça-feira negra, deram origem a uma grave crise económica que se espalhou a todo o mundo industrializado e que se prolongou ao longo de vários anos da década de trinta do século passado. No dia 24 de Outubro, mais de 10 milhões de acções ficaram sem comprador e os preços caíram de minuto a minuto para valores muito abaixo dos que se verificavam na véspera, levando à ruína milhares de accionistas. O endividamento de muitos destes accionistas agora falidos acabou por propagar a crise para a banca, levando numerosas instituições financeiras à falência. Sem suporte financeiro e sem possibilidades de recorrer ao crédito bancário, muitas empresas acabaram também por falir, com a produção nos Estados Unidos a cair em mais de um quarto, atirando para o desemprego milhões de trabalhadores, dando uma dimensão dramática aos custos sociais da crise, só verdadeiramente ultrapassada com as despesas públicas que financiaram a Segunda Guerra Mundial.
Após o crash, o Dow Jones recuperou no início de 1930, mas acabou novamente por cair, chegando ao fundo do grande bear market em 1932. O mercado atingiu o seu ponto mais baixo em 8 de Julho de 1932 e não voltou aos seus níveis pré-1929 até ao final de 1954. Foi com a Quinta-feira negra que começou a chamada Grande Depressão dos anos trinta.
No entanto, apesar de conhecido como a Quinta-feira negra, o dia 24 de Outubro de 1929 nem foi dos dias em que a bolsa mais desceu, nem foi o primeiro dia em que tal aconteceu em 1929. De resto, nesse dia o índice bolsista Dow Jones acabou por cair uns simpáticos 2%, bastante menos do que tinha caído no dia anterior (6%). Por outro lado, a tendência de queda vinha já desde o início de Setembro, altura em que o Dow Jones atingiu o pico. Então aquela fatídica Quinta-feira fica famosa sobretudo pelos momentos de pânico vividos durante a manhã do dia 24, que resultaram numa oscilação de quase 13% do Dow Jones. O pânico foi contido pela notícia de que um grupo de banqueiros estaria disposto a comprar acções para evitar a descida das cotações.
Mas não foi suficiente. A instabilidade era demasiado alta. Era o início do mais famoso crash bolsista da história. Entre altos e baixos, por quase mais três anos, o Dow Jones perdeu cerca de 90% do seu valor.
Oitenta anos depois da época em que o pânico tomou conta de Wall Street, discute-se o fim da crise financeira internacional iniciada em 2007. Os paralelismos são inevitáveis. Segundo Fernando Alexandre, num artigo escrito com Pedro Bação, num artigo publicado no Semanário Económico, em 25 de Outubro de 2009, “embora a história não se repita, a incerteza relativamente à robustez dos sinais de recuperação alimenta o interesse por episódios semelhantes na esperança de neles se encontrarem as respostas que nos faltam”.
O paralelismo entre a actual crise global e a Grande Depressão dos anos trinta está no mecanismo essencial que lhe deu origem: um aumento do endividamento para comprar bens ou acções que se espera que se valorizem de modo a gerar o rendimento necessário para pagar a dívida contraída, mas que se torna incomportável quando o activo comprado deixa de se valorizar da forma esperada.
No entanto, no caso concreto da crise que vivemos actualmente, o aumento do endividamento foi mais complexo e em maior escala. O endividamento não só aumentou para financiar a aquisição de habitações por parte das famílias, mas também o aparecimento de inovações financeiras associado à afirmação de muitas das entidades de crédito que hoje tão bem conhecemos, permitiu aos bancos aumentar o seu volume de financiamento, mas também de endividamento dentro e fora de portas.
A grande diferença entre a crise actual e a despoletada em 1929 nos Estados Unidos é que desta vez as autoridades intervieram fortemente para evitar o colapso do sistema. Não deixaram, portanto, o mercado ditar as suas leis. O futuro dirá se foi a melhor decisão.
 
Até para a semana. Directo à Questão.
 
publicado por Ricardo às 10:17
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