Quarta-feira, 22 de Outubro de 2008

O Computador Magalhães Rumo à Info-inclusão

 

Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão.
Aí está o computador Magalhães no primeiro ciclo do Ensino Básico. O mediático aparelho informático prepara-se para chegar às escolas portuguesas. O que será que podemos esperar da introdução do Magalhães no nosso sistema de ensino?
Sob o ponto de vista meramente pedagógico, é efectivamente discutível se a introdução do Magalhães pode produzir ganhos efectivos para os alunos em termos da aquisição das competências pedagógicas básicas. De facto, as metodologias e técnicas pedagógicas utilizadas para a aquisição e desenvolvimento dos processos psico-linguísticos básicos da leitura e da capacidade de raciocínio numérico e lógico-abstracto não se substituem à introdução da informática no processo de ensino-aprendizagem. No entanto, não tenho dúvidas que, sem se sobreporem às tradicionais técnicas de ensino, as tecnologias de informação e comunicação podem constituir um complemento fundamental para as aquisições básicas de aprendizagem no primeiro ciclo do Ensino Básico.
Para além de poder constituir-se como um importante apoio ao processo de ensino, complementando as técnicas pedagógicas já existentes e contribuindo para um aumento do factor motivacional junto dos alunos, o Magalhães pode ainda desempenhar um importante papel enquanto facilitador do acesso às tecnologias de informação e comunicação. Falamos, pois, da introdução de um computador na casa dos portugueses, muitos deles que, de outra forma, não estariam sensíveis para a importância de um acesso precoce às tecnologias de informação e comunicação. Falamos também aqui da importância social desta medida, uma vez que pode contribuir para um esbater das diferenças no acesso a um bem essencial dos nossos tempos, a sociedade da informação.
Parece-me que o computador Magalhães possui ainda a mais-valia de desempenhar um papel determinante na mobilização dos pais para o processo educativo dos filhos. Basta pensar na influência das crianças sobre os pais, na sua importância na modelização de comportamentos dos próprios encarregados de educação. Com a generalização do acesso às tecnologias de informação e comunicação nos vários níveis de ensino, espera-se que sejam os próprios alunos a sensibilizar os pais para a importância da informação nesta sociedade do conhecimento, contribuindo assim para a diminuição da info-exclusão junto das famílias portuguesas.
De referir, finalmente, a necessidade de uma formação adequada dos professores, para que a introdução do Magalhães possa efectivamente constituir uma importante mais-valia no sistema educativo, em particular no primeiro ciclo do ensino básico. Essa formação deve passar pela info-inclusão dos próprios docentes, tendo em vista a tal complementaridade necessária entre os métodos de ensino assistidos por computador e as ditas “clássicas” metodologias e técnicas pedagógicas de aquisição de competências básicas, como a leitura, a escrita ou a matemática.
A introdução do Magalhães nas casas de milhares de portugueses deve, pois, ser encarada, não como uma ameaça à aprendizagem das crianças, mas, sobretudo, como uma oportunidade. Uma oportunidade de ouro para a tão almejada generalização das tecnologias de informação e comunicação junto da população portuguesa. Rumo à necessária info-inclusão dos portugueses.
Até para a semana. Directo à Questão.
publicado por Ricardo às 15:45
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1 comentário:
De DK21 a 24 de Outubro de 2008 às 13:01
Acho realmente uma grande iniciativa por parte do nosso tão criticado governo. Ao falares na formação dos professores chagas a um ponto fulcral.

Sem o tal know how por parte dos docentes, os computadores nas escolas não vão passar de uma elaborada manobra de marketing e manipulação estatística, pelo simples facto de que não serão rentabilizados como previsto, ou talvez mesmo rentabilizados em demasia, deixando de lado o método mais tradicional.

É bastante importante que uma criança tenha um equipamento que lhe permita um progresso escolar mais eficaz. Mais importante é que na falta do Magalhães a criança consiga fazer uma operação de aritmética sozinha...

Na componente social, Estamos a ir bem, somos pioneiros no que fazemos, e até temos a aprovação de 10 países, que também estão em negociações para adquirir o Magalhães. Isto gera emprego...

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