Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009

Cidadania e Inclusão (II)

 

Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão.
 
Na última semana tentámos perceber melhor as noções de cidadania e de participação e a sua relação com a inclusão social, enformando a nossa análise no panorama actual de pobreza e exclusão social e nas tendências demográficas de envelhecimento populacional e isolamento social dos idosos.
Hoje prosseguimos a nossa reflexão, tentaremos perceber como pode ser construída essa cidadania participativa por cada um de nós, membros da comunidade e, como tal, agentes de mudança.
Se não, vejamos.
Actualmente, entender como se dá a construção da cidadania implica necessariamente a análise dos processos de constituição de sujeitos sociais que se formam nas mediações, nas práticas de intercâmbio, nas alianças, nas redes de informações em projectos sociais cuja diversidade traduzem relações de justiça e participação social.
A cidadania no mundo contemporâneo prescinde da exigência dos vínculos comunitários tradicionais. Trata-se de um conceito complexo, porque apela à participação fora de contextos necessariamente comunitários e porque, agindo na esfera da liberdade, supõe uma visão social participada.
A parceria visa a organização de um conjunto de parceiros, de natureza distinta, em torno de uma agenda comum, onde são negociados interesses, objectivos e estratégias de acção, mediante o compromisso e a responsabilização dos diferentes agentes e através da partilha de riscos e benefícios.
A ideia de comunidade presente na cidadania moderna é de tipo ideal e temático. A concepção de participação reenvia para um consenso mínimo em torno de valores centrados no ser humano. Isto sob o pano de fundo de uma real fragmentação dos vínculos tradicionais e a afirmação emergente da diferença de posição ou posicionamento como elemento constituinte do próprio processo de socialização.
O modelo de cidadania no mundo contemporâneo não se pode reduzir à simples ideia de recepção mecânica de direitos garantidos por via externa. A cidadania é, assim, simultaneamente inclusiva e exclusiva. Onde, por inclusão, se entende consenso mínimo em torno de valores de tipo social, e onde, por exclusão, se entende direito à afirmação da diferença. Inclusão significa consenso social, logo, simples adesão de princípio. Exclusão significa afirmação da diferença no interior do universo múltiplo de programas que cabem no máximo denominador comum dos princípios objecto de consenso. Isto, naturalmente, no interior da cultura sociológica.
O planeamento das várias estratégias e políticas para combater a pobreza e a exclusão social, que poderão responder de forma mais eficaz às peculiaridades da fenomenologia da privação, é condição “sine qua non” para uma intervenção eficiente.
Assim, importa, essencialmente, expandir o conhecimento, elevar padrões e promover a cooperação intelectual, a fim de facilitar transformações sociais alinhadas segundo valores universais de justiça, liberdade e dignidade humana. Importa ainda criar objectivos voluntaristas de combate à exclusão social, nas suas diferentes formas, visando segmentos do tecido social que se encontrem numa situação de particular desfavorecimento relativamente às possibilidades de inserção no mercado de trabalho.
A visão estratégica que preside à definição de objectivos de desenvolvimento económico-social tem subjacente a necessidade de promoção da democracia, dos padrões de convivência cívica e da protecção dos cidadãos.
 
Até para a semana. Directo à Questão.
publicado por Ricardo às 10:16
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