Quarta-feira, 8 de Abril de 2009

O Stress e o Cérebro Humano: O Desafio da Inteligência Emocional

 

 
Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão.
 
Intrigante. Sempre muito intrigante e misterioso foi encarado o funcionamento do cérebro humano. O Homem desde sempre procurou compreender melhor esta complexa e dinâmica máquina. Contudo, apesar de todos avanços médicos e tecnológicos, sobretudo das últimas décadas, continuamos a desconhecer muitos dos mecanismos cerebrais. Continuamos a maravilharmo-nos com a complexidade tanto de cada minúscula sinapse como de cada gigantesco comportamento humano. Continuamos a intrigar-nos com muitas das surpresas que a nossa massa cinzenta ainda nos continua a proporcionar.
Particularmente curiosa é a reacção do nosso cérebro às situações de ansiedade extrema, o chamado stress. Vimos, numa das nossas últimas reflexões, que a resposta ansiosa é uma resposta normal, funcional e até adaptativa. Lembremo-nos de que ansiedade ocorre sempre que o nosso cérebro interpreta uma situação como ameaçadora. É a resposta ansiosa que mobiliza para a acção, logo é a ansiedade que desencadeia as respostas emocionais, como o medo ou a raiva, fazendo-nos agir perante a ameaça.
Neste contexto, aquilo que conhecemos como stress é o processo que ocorre quando o indivíduo percepciona a existência de um desequilíbrio entre as exigências percebidas da situação e o que considera serem as suas competências para lidar com essas exigências, numa situação em que o resultado é importante para a pessoa. De uma forma simplista, podemos afirmar que o stress ocorre quando a pessoa sente que pode não ser capaz de lidar com as muitas situações ameaçadoras com que se depara, que podem ir desde acontecimentos de vida negativos a dificuldades quotidianas em áreas tão diversas como a saúde ou o emprego.
Perante situações ditas stressantes, os nossos hemisférios cerebrais têm reacções distintas. Perante níveis de ansiedade elevados, predomina a função analisadora e crítica, característica do hemisfério cerebral esquerdo. É este lado do cérebro o responsável pelo raciocínio lógico e pela razão. Mas a interpretação de qualquer vivência implica um outro lado, o lado da imaginação e da criatividade, o lado da intuição e da emoção. E é o hemisfério cerebral direito o responsável por esta função integradora da informação. É, digamos que, no lado direito do nosso cérebro que as emoções falam mais alto do que a razão, permitindo a obtenção de soluções criativas para os problemas com que nos deparamos no dia-a-dia.
Ora, nas situações de stress, gera-se um ciclo vicioso que tolda a execução criativa, impedindo a actuação eficaz do lado direito do cérebro. A análise auto-crítica desencadeada pela ansiedade no hemisfério esquerdo, não só reforça a ansiedade sentida, como dificulta a função integradora do hemisfério direito, perturbando a resposta e prejudicando o desempenho, o que vai acentuar, por seu turno, a resposta ansiosa.
É em face desta característica de actuação do nosso cérebro que assistimos hoje a uma verdadeira alteração de paradigma na área da inteligência humana. Já todos decerto ouvimos falar de QI – ou Quociente de Inteligência. O QI é uma medida que avalia a inteligência ou aptidão cognitiva do indivíduo. Quando falamos de Quociente de Inteligência falamos da avaliação de todo um conjunto de capacidades mentais, ligadas ao raciocínio e à cultura geral, as competências que nos habituámos a ver valorizadas pela escola e pelo mercado de trabalho.
No entanto, hoje, mais do que nunca, em vez de QI importa falar de QE – ou Quociente de Inteligência Emocional. Esta mudança de paradigma significa que, mais do que ter capacidades cognitivas, capacidade de raciocínio lógico-abstracto ou cultura geral, a pessoa mais inteligente é aquela que melhor reconhece, gere e controla as próprias emoções e as dos outros. Uma pessoa com elevada inteligência emocional é aquela que é capaz de responder adequadamente em situações de elevada pressão ou stress e ainda capaz de adaptar e gerir os relacionamentos de acordo com as emoções.
O nosso cérebro não pára de nos surpreender. Quantas e quantas vezes sentimos que as emoções se suplantaram e falaram mais alto que a razão? Por mais compelxo e misterioso que seja o funcionamento cerebral, uma coisa é certa. Não há comportamento sem emoção. Ser capaz de gerir este lado emocional ou integrador do nosso cérebro sem perder a capacidade analítica e crítica é o nosso maior desafio diário.
 
Até para a semana. Directo à Questão.
 
publicado por Ricardo às 15:27
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2 comentários:
De Lina Barata a 17 de Abril de 2009 às 14:01
Olá Ricardo
dei consigo através da Rádio Condestável pela qual me interessei na net por ter nascido numa aldeia perto de Cernache do Bomjardim. Gostei muito de ler os seus artigos propostos para reflexão. Não sou muito dada a navegações pela NET (talvez por falta de tempo) mas é um fenómeno interessante esta "coisa" dos blogs (e tudo o que envolve a WWW) gostava de ver o tema abordado por si.
De Ricardo a 23 de Abril de 2009 às 17:36
Cara Lina, muito obrigado pelas simpáticas palavras de apreço e de estímulo. A sua proposta de tema é excelente! Prometo abordá-la em breve...

Cordialmente

Ricardo Nunes

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