Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

A Propósito do Dia 10 de Junho

 

Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão.
 
A propósito do dia 10 de Junho, Dia de Portugal, evocamos hoje Luís Vaz de Camões. Filho de Simão Vaz de Camões e Ana de Sá e Macedo, Camões nasceu em lugar incerto, provavelmente Lisboa, em 1524 ou 1525.
É possível que tenha frequentado a Universidade de Coimbra, embora os registos académicos daquela Instituição não lhe façam qualquer referência. Em abono dessa hipótese joga o facto de D. Bento de Camões, parente próximo do poeta, ter sido prior do Mosteiro de Santa Cruz e chanceler da Universidade. Por outro lado na canção IV, Luís Vaz de Camões faz uma referência explícita a Coimbra, quando diz:
 
“Vão as serenas águas
Do Mondego descendo
Mansamente, que até o mar não param;
Por onde minhas mágoas,
Pouco e pouco crescendo,
Pera nunca acabar se começaram.”
 
Durante a juventude, em Lisboa, conviveu com membros da fidalguia cortesã, e, por volta de 1550, serviu como soldado em Ceuta, no norte de África, onde perdeu um olho em combate.
A sua obra-prima, “Os Lusíadas”, foi publicada em 1572. Como retribuição pelos serviços prestados na Índia e pela redacção da epopeia nacional, D. Sebastião atribuiu-lhe uma tença anual de 15.000 reis. Faleceu em Lisboa, a 10 de Junho de 1580.
Em vida, publicou apenas, além d' Os Lusíadas, três poemas líricos: um, acompanhando um livro de Garcia de Orta. Os restantes, incluídos na obra de Pêro de Magalhães Gândavo, “História da Província de SantaCruz”. O restante da sua produção poética foi já editada a título póstumo, a partir de 1595, tendo sido recolhida de cancioneiros manuscritos.
            Recordamos aqui “Glosa a mote alheio”, um dos imortais poemas de Camões, um verdadeiro hino à natureza, uma justa homenagem à vida.
 
"Vejo-a na alma pintada,
Quando me pede o desejo
O natural que não vejo."
 
Se só no ver puramente
Me transformei no que vi,
De vista tão excelente
Mal poderei ser ausente,
Enquanto o não for de mi.
Porque a alma namorada
A traz tão bem debuxada
E a memória tanto voa,
Que, se a não vejo em pessoa,
"Vejo-a na alma pintada."
 
O desejo, que se estende
Ao que menos se concede,
Sobre vós pede e pretende,
Como o doente que pede
O que mais se lhe defende.
Eu, que em ausência vos vejo,
Tenho piedade e pejo
De me ver tão pobre estar,
Que então não tenho que dar,
"Quando me pede o desejo."
 
Como àquele que cegou
É cousa vista e notória,
Que a Natureza ordenou
Que se lhe dobre em memória
O que em vista lhe faltou,
Assim a mim, que não rejo
Os olhos ao que desejo,
Na memória e na firmeza
Me concede a Natureza
"O natural que não vejo."
 
Até para a semana. Directo à Questão.
 
publicado por Ricardo às 09:43
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