Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Os Desafios da Doença Crónica: Gestão e Prevenção

 

Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão.
 
 Ao longo dos últimos 50 a 60 anos, os avanços da ciência, em geral, e da medicina, em particular, facilitaram a sobrevivência a várias doenças que eram consideradas como sendo responsáveis por uma grande percentagem de mortes, assistindo-se, em contrapartida, a um aumento das doenças crónicas.
Doenças crónicas, por oposição a doenças agudas, são doenças que evoluem lentamente e se prolongam ao longo da vida. Tendem a durar muito tempo e são persistentes. Os sintomas podem interferir, em vários graus, com a capacidade para trabalhar, para levar a cabo papéis familiares, para gozar de tempo livre e até mesmo para descansar, o que conduz a uma incapacidade que obriga a alterações das funções e rotinas básicas do doente.
Na definição de Blanchard, proposta em 1982, doenças crónicas são doenças que têm de ser geridas em vez de curadas, ou seja, as pessoas que têm doenças crónicas podem fazer a vida do dia a dia como qualquer outra pessoa e, grande parte delas, acaba por falecer de velhice ou de outras doenças que não a doença crónica que os acompanhou durante toda ou grande parte da vida. As doenças crónicas não se definem, então, pela sua aparente ou real gravidade, mas sim por serem doenças ou sem cura ou de duração muito prolongada.
Crianças com doença crónica são aquelas que, durante um período de tempo considerável, se encontram, devido a causas físicas, impossibilitadas de participar plenamente nas actividades inerentes à sua idade, no domínio social, recreativo ou de orientação profissional. Pode, assim, considerar-se doença crónica toda a lesão somática que reduz de uma forma importante as capacidades da criança por um tempo prolongado; todos os estados patológicos devidos a causas múltiplas, com sintomas diversos, com evolução longa, muitas vezes com sequelas e ressonância psicológica, familiar e social.
Um estudo feito nos Estados Unidos da América concluiu que 10% a15% das crianças com menos de 18 anos de idade sofriam de doenças crónicas. Destas, 10% têm condições severas, o que corresponde a 1% da população total de crianças nos Estados Unidos.
As causas das doenças crónicas podem ser de dois tipos: genéticas, quando as doenças crónicas se devem a defeitos cromossómicos, isto é, a defeitos nos genes; ou ambientais, quando se devem a influência de factores externos (por exemplo, a exposição a radiações durante a gravidez).
Neste sentido, a prevenção da doença crónica pode ser feita a três níveis: prevenção primária, prevenção secundária e prevenção terciária. A prevenção primária impede o aparecimento da doença, evitando, por exemplo, álcool e drogas durante a gravidez. A prevenção secundária tem lugar depois da concepção do feto afectado e pode envolver esforços para terminar a gravidez. Em alguns casos raros é possível recorrer à cirurgia fetal para corrigir a situação. No entanto, a decisão de fazer ou não estas cirurgias implica sempre grandes questões éticas e morais, o que constitui uma dificuldade, provocando, por vezes, conflitos no casal. Na prevenção terciária, procura-se minimizar as consequências sociais e psicológicas indesejáveis e desnecessárias da doença crónica na criança e na família. Recorre-se, sempre que possível, a tratamentos que possam ser feitos em casa de modo a abrandar a progressão da doença, a reduzir as complicações médicas e a prolongar a vida. O sucesso ou insucesso dos tratamentos depende muitas vezes da complexidade do tratamento, dos recursos da família, da quantidade de tempo despendida, das expectativas e atitudes da família.
Ponto assente, pois, é que as doenças crónicas não se curam e, mais eficiente do que tratá-las, é preveni-las. Em pleno século XXI, com todos os avanços científicos na área, já não há motivo para temer a doença. Resta saber percebe-la, integrá-la e geri-la de forma a minimizar os seus impactos pessoais e sociais.
 
Até para a semana. Directo à Questão.
publicado por Ricardo às 14:24
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