Quinta-feira, 13 de Agosto de 2009

Recordando Miguel Torga

 

Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão.
 
A 12 de Agosto de 1907, faz hoje 102 anos, nascia em São Martinho de Anta, concelho de Sabrosa, Trás os Montes, o escritor Miguel Torga, nome literário do médico Adolfo Correia da Rocha. Tal pseudónimo encontra-se intimamente ligado à aldeia onde nasceu e que o viu crescer. Torga é o nome dado à urze campestre que sobrevive nas fragas das montanhas, com raízes muito duras infiltradas por entre as rochas.
Depois de uma breve estadia no Porto, frequentou apenas por um ano, o seminário em Lamego. Em 1920 partiu para o Brasil, onde foi recebido na fazenda de um tio. Regressou depois a Portugal acompanhado do tio, que se prontificou a custear lhe os estudos em Coimbra. Em apenas três anos fez o curso do liceu, matriculando se a seguir na Faculdade de Medicina, onde terminou o curso em 1933. Exerceu a profissão na terra natal, passou por Miranda do Corvo, mas foi em Coimbra que alguns anos mais tarde acabou por se fixar. Iniciou a sua obra literária logo após ter entrado para a universidade, com os livros "Ansiedade" e "Rampa". Mas só em 1936 passou a usar o pseudónimo que o havia de imortalizar. Não oferecia livros a ninguém, não dava autógrafos ou dedicatórias, para que o leitor fosse livre ao julgar o texto.
Proposto várias vezes para o Prémio Nobel da Literatura, a sua vasta obra abrange a poesia, o romance, o teatro, o conto, as crónicas de viagem e as memórias. Ganhou vários prémios, entre eles o Grande Prémio Internacional de Poesia em 1977, o Prémio Montaigne em 1981 e o prémio Luís de Camões em 1989. Com ideias que se demarcavam do regime salazarista, então em vigor no nosso país, chegou a ser preso e pensou em sair de Portugal, mas não o fez por se sentir preso à pátria e à sua terra natal, Trás os Montes, que evocaria em muitos dos seus poemas. Expoente máximo da literatura portuguesa do século XX, haveria de falecer em 1995, com 88 anos.
De seguida, recordamos “Súplica”, um dos seus mais vibrantes poemas, uma demonstração pura da ânsia e do desespero que marcam a poesia de Torga. A expressão de um indivíduo vibrante e enternecido pelas criaturas, irremediavelmente ligado á natureza.

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz

Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.

Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.
 
 
Até para a semana. Directo à Questão.
publicado por Ricardo às 09:54
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