Quinta-feira, 20 de Agosto de 2009

A Ética na Prática Profissional do Psicólogo (I)

 

Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão.
 
Quando se fala em princípios éticos pelos quais se deve reger o psicólogo no desempenho da sua prática profissional, fala-se num conjunto de questões com as quais o profissional de psicologia é confrontado no seu dia a dia e para as quais não há uma resposta universal. No entanto, é importante que o psicólogo esteja atento a elas e tenha maturidade profissional para saber lidar com situações mais ou menos problemáticas. Nas nossas duas próximas reflexões, exploramos algumas dessas questões que marcam a prática profissional de quem aconselha na área da psicologia, mas também de quem recebe esses serviços, todos aqueles que diariamente consultam um psicólogo para pedir ajuda, para receber aconselhamento, para fazer tratamento psicoterapeutico, ou, simplesmente, para trocar dois dedos de conversa.
A ética pode ser definida como o estudo teórico dos princípios que governam as nossas escolhas práticas. É uma reflexão sobre o porquê de se considerarem determinadas condutas e normas como válidas. Em termos figurados, a natureza da ética corresponde ao máximo esforço de cada um no sentido de esclarecer perante si mesmo as ideias do Bem e do Mal.
Não podemos dissociar o conceito de ética do conceito, também ele bastante abrangente, de deontologia. Trata-se de um conceito muito próximo do de moral profissional e caracteriza-se por propor códigos de acção ou impor respostas e definir leis, normas, imperativos ou interditos. No fundo, trata-se da delimitação das margens de liberdade da profissão.
O psicólogo deve manter elevados padrões de competência no seu trabalho e reconhecer, não só as suas potencialidades, mas também os seus limites. É ainda importante que o psicólogo restrinja o exercício das suas funções à aplicação de técnicas e fornecimento de serviços apenas para os quais se encontra qualificado através da educação, treino formal e prática.
O psicólogo deve ainda saber reconhecer as suas responsabilidades profissionais para com a comunidade e a sociedade. Assim, é fundamental que pese convenientemente as consequências que as suas actividades profissionais possam ter no cliente, mas também na sociedade. Percebe-se, deste modo, que deva manter elevados padrões de conduta, clarificar os seus papéis e obrigações profissionais e assumir a responsabilidade apropriada pelo seu comportamento, nomeadamente pela escolha, aplicação e consequências das estratégias, métodos e técnicas utilizados.
O psicólogo deve ser o primeiro a preocupar-se pelo bem estar das pessoas e pela protecção dos seus interesses, com especial atenção para as minorias étnicas, raciais, linguísticas e sociais e para as pessoas portadoras de deficiências.
Na prática profissional do psicólogo, é ainda importante que este saiba respeitar e promover os direitos fundamentais das pessoas, a sua liberdade, dignidade, privacidade, autonomia e bem estar psicológico. Deste modo, deve tomar as medidas necessárias para evitar prejudicar aqueles com quem interage profissionalmente e para minimizar danos, quando estes são previsíveis e inevitáveis.
É a este nível que surgem as delicadas questões do sigilo profissional e respeito pelo anonimato e confidencialidade. Uma das questões mais problemáticas com a qual o psicólogo se pode confrontar reside precisamente na quebra ou não da confidencialidade em casos em que é a vida do próprio cliente que está em jogo. Para defender a integridade física e psicológica da pessoa que tem pela frente (por exemplo, em casos de suicídio), parece-me válida a quebra da confidencialidade por parte do profissional. Dizer à família do cliente ou outras pessoas significativas que pode estar prestes a ocorrer uma tragédia, pode fazer com que eles próprios ajudem o sujeito, com o seu apoio, a evitar o pior.
 
 
Até para a semana. Directo à Questão.
 
publicado por Ricardo às 11:23
link do post | comentar | favorito

.mais sobre mim

.pesquisar

.Julho 2010

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

.posts recentes

. A crise de Portugal vista...

. Como Joana Vasconcelos pu...

. Sobre o Impacto da Mexida...

. Sobre o Impacto da Mexida...

. Algumas Reflexões Sobre o...

. Algumas Reflexões Sobre o...

. Algumas Reflexões Sobre o...

. Os Cinco Anos Sobre a Abe...

. D. Pedro I – Entre a lend...

. A Criança com Epilepsia

.arquivos

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

.links

blogs SAPO

.subscrever feeds