Quinta-feira, 3 de Setembro de 2009

Sal, o Tempero da Vida: A propósito do "Itinerário do Sal" dos Miso Ensemble

 

 
Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão.
 
Em "Itinerário do Sal", o autor, actor e músico Miguel Azguime enche o palco numa genial performance interpretativa entre a palavra dita e o som ouvido. "Itinerário do Sal" apresenta-se ao público como uma “reflexão sobre a Criação e a Loucura, que gira em torno da linguagem, da palavra-sentido e da palavra-som; ambas tratadas como dimensões da voz, da voz enquanto extensão do corpo e ambas totalmente integradas na construção cénica como projecção tangível da ressonância das palavras através do som e da imagem".
O Itinerário que é proposto ao espectador questiona a ausência do próprio autor enquanto desdobramento e deslocação da sua personalidade criadora, colocando em cena a própria cena. Inevitavelmente idiossincrático, o espectáculo gira em torno do sentido das palavras e dos sons, que é ele próprio o sentido de tudo. Por isso ambicioso. Por isso inacabado. Sempre inacabado.
O sal, o tempero da vida, dá-lhe esse toque quasi-final, condimentando esta mistura verdadeiramente explosiva de linguagens, imagens, emoções, gestos e posturas. Entre a poesia sonora, o teatro musical e a arte performativa, "Itinerário do Sal" constitui um perturbante exercício de estilo que não deixa - nunca... - (nem sabe deixar) o espectador indiferente.
Com 20 anos de existência e mais de 400 concertos realizados, o Miso Ensemble é hoje amplamente reconhecido pela crítica e pelo público como o mais original, o mais criativo e o mais inovador dos agrupamentos portugueses de música contemporânea. Premiado no concurso Music Theatre NOW Berlim, em 2008, na categoria "Other Forms Beyond", o "Itinerário do Sal" parece o culminar de um projecto construído em cada dia da vida deste conceituado grupo.
Podia ter sido em Lisboa, em Viena ou até em Berlim, mas foi na Sertã que conheci esta obra-prima. Naquela que foi a primeira aparição deste espectáculo fora dos grandes palcos dos grandes centros urbanos (nacionais e internacionais), a Casa da Cultura da Sertã recebeu no passado dia 22 de Agosto um dos mais marcantes eventos que alguma vez passaram pela vila sertaginense. Os vinte minutos que o performer dedicou ao reduzido - mas interessado - público no final da frenética actuação, constituíram a prova da humildade e da grandeza do tal autor que se ausenta em busca da criação no meio do silêncio. Foi o sal do espectáculo.
 
Até para a semana. Directo à Questão.
publicado por Ricardo às 11:30
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