Quarta-feira, 16 de Setembro de 2009

A Hiperactividade em Contexto Escolar: Contributos para a Compreensão do Problema

 

Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão.
 
A Hiperactividade é um dos mais mediáticos distúrbios do foro psicológico em contexto escolar. É, contudo, um dos menos compreendidos por pais, professores e demais agentes educativos que diariamente são obrigados a lidar com alunos com este tipo de problemas.
De acordo com a DSM-IV, o Manual de Diagnóstico das Doenças Mentais, comummente aceite a nível internacional pelos profissionais ligados à saúde mental, e que uniformiza os critérios de diagnóstico dos distúrbios psicológicos, a Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção é definida como um “padrão persistente de falta de atenção e impulsividade, com uma intensidade mais frequente e grave que o observado habitualmente nos sujeitos com um nível semelhante de desenvolvimento”.
Para uma melhor compreensão do problema em contexto escolar, importa salientar todo um conjunto de questões que me parece que podem ajudar a clarificar aquilo que está na base do distúrbio de Hiperactividade. Antes de mais, importa lembrar que a Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção não tem sinais físicos claros – é identificada por um conjunto de comportamentos específicos. Depois, importa ainda salientar que não foi identificada uma causa única por detrás dos diferentes padrões de comportamento hiperactivo. Finalmente, importa afirmar que a Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção funciona frequentemente como uma espécie de “guarda-chuva” sob o qual se abrigam perturbações com as mais diversas origens. De facto, os sintomas de Hiperactividade com Défice de Atenção tendem a corresponder, na sua essência, a uma manifestação comportamental de défices emocionais, cognitivos ou dificuldades de aprendizagem específicas, os quais não podem ser descurados, muito pelo contrário, na percepção dos problemas do aluno hiperactivo.
Sem colocar em causa o profissionalismo dos técnicos que trabalham diariamente com este tipo de alunos, chego mesmo a duvidar de muitos dos diagnósticos de Hiperactividade que, comummente, continuam a ser efectuados. Qualquer diagnóstico de Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção exige a realização apurada de vários exames clínicos de despistagem, nomeadamente do foro neurológico, para que seja possível fazer um efectivo diagnóstico diferencial do problema.
Para lidar com estes alunos, não existem procedimentos infalíveis, pelo que as medidas a adoptar por parte dos agentes educativos no tratamento de alunos com Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção devem ser consistentes com as necessidades da criança e adaptáveis à situação de ensino. Contudo, existem alguns conselhos que podem e devem ser tidos em conta. Antes de mais, deverá existir um esforço de todos para que as dificuldades sejam integradas e compreendidas por pais, professores e próprio aluno e os seus efeitos minimizados.
Outras sugestões de âmbito mais prático podem ser seguidas, nomeadamente a localização da criança da sala distante de estímulos distractores; a definição de um sistema muito claro de regras, com recompensa imediata de comportamentos adequados; o desenvolvimento na criança da percepção de que um comportamento é influenciado pelos antecedentes e que a sua repetição está dependente dos consequentes; a introdução de estímulos concretos que ajudem o aluno hiperactivo a autocontrolar-se; ou o recurso a formas particulares de tolerância (por exemplo, dar mais tempo para a realização de uma tarefa).
 
Até para a semana. Directo à Questão.
 
publicado por Ricardo às 10:48
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