Quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

Massacre de Santa Cruz: Dezoito anos depois

 

 
Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão.
 
A 12 de Novembro de 1991, faz amanhã precisamente dezoito anos, no cemitério de Santa Cruz, em Dili, tropas indonésias que ocupavam indevidamente o território de Timor-Leste, dispararam indiscriminadamente contra civis, durante uma homenagem fúnebre a um jovem abatido por elementos daquelas forças. Dezenas de pessoas morreram neste ataque. As imagens deste massacre, ao serem apresentadas nas televisões de todo o mundo, sensibilizaram a comunidade internacional para a dramática situação do povo timorense e contribuíram decisivamente para o processo de independência daquele território.
Foi então no dia 12 de Novembro do ano de 1991 que o exército indonésio disparou sobre manifestantes que homenageavam um estudante morto pela repressão, no cemitério de Santa Cruz, em Díli, capital de Timor. Calcula-se que cerca de 200 pessoas tenham sido mortas naquele fatídico dia. Ainda hoje existem corpos que não foram reclamados, vítimas que não foram encontradas e identificadas. Nunca foi sequer efectuada uma lista das vítimas e dos sobreviventes do massacre.
Até ao 25 de Abril de 1974, Timor era uma província portuguesa. Em Agosto de 1975, Portugal deu a independência a Timor, abandonou a ilha e foi instituída uma Republica pelo líder Xanana Gusmão, líder da FRETILIN - Frente Revolucionária de Timor-Leste. Em Dezembro do mesmo ano, a Indonésia ocupou Timor, tornando a Ilha numa província Indonésia.
Nesta ocupação, o exército indonésio efectuou um verdadeiro genocídio sobre o povo timorense. Bombardeamentos destruíram aldeias inteiras e foram queimadas florestas para limitar o refúgio do exército timorense.
Em 1999, a Organização das Nações Unidas decidiu intervir na região. Soldados australianos, sob a bandeira da ONU, entraram em Timor e encontraram um país completamente incendiado e devastado. Xanana Gusmão, líder da resistência timorense, foi então libertado.
Em 2001, foi ano de eleições presidenciais em Timor e Xanana Gusmão foi consagrado como novo presidente. No ano seguinte, Timor-leste afirmou-se, finalmente, como um país independente. Nascia Timor Lorosae.
No entanto, ainda hoje Timor continua em clima de tensão. O cenário de guerra civil mantém-se, com atentados sistemáticos contra as forças de segurança no país e contra os líderes timorenses.
Dezoito anos depois, aqui fica a mais que sentida e justa homenagem ao povo que, contra tudo e contra todos, nunca deixou de lutar pelos seus direitos. É uma conquista quase diária, que é renovada, dia após dia, na esperança de um futuro melhor. Um direito que assiste a todos os Homens.
Dezoito anos depois, a história não pode nunca ser apagada. E com tanto ainda por fazer, continua a ser necessário acreditar.
 
Até para a semana. Directo à Questão.
 
publicado por Ricardo às 09:55
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