Quarta-feira, 9 de Julho de 2008

Globalização e Conhecimento (I): Sobre a inovação e o empreendedorismo

 

Ora viva. Estamos de volta. Directo à Questão.
Vivemos num tempo de transições. A expressão não é nova e identifica grande parte das macro-mudanças que vive actualmente o mundo económico. Neste tempo de transições, assiste-se à emergência de uma verdadeira Economia Baseada no Conhecimento, caracterizada por elevados níveis de instrução da mão-de-obra, alta qualidade dos sistemas de ensino e prolongada esperança média de vida da população, ou seja, pela valorização do capital humano das organizações.
Face a este contexto, a inovação surge enquanto elemento central da Economia Baseada no Conhecimento. Trata-se de um conceito abrangente e que pode assumir várias modalidades de acção, caracterizado essencialmente pela introdução de alterações estratégicas em produtos ou processos. Joseph Schumpeter, ele próprio um verdadeiro inovador, já no início do século XX, defendia que a característica básica do Capitalismo é a ruptura do estado rotineiro e estacionário de equilíbrio, num processo de desenvolvimento endógeno e auto-adaptativo, que denominou dedestruição criadora. Assim, o equilíbrio surge não como um objectivo em si, antes como um meio, um instrumento tendo em vista a optimização de recursos. E, nesse processo dinâmico, surge a figura do empresário empreendedor enquanto agente anti-rotineiro capaz da inovação. Para tal, ele necessita de conhecimento, isto é, da recolha, organização e sistematização da informação relevante que lhe permita a adaptação bem sucedida da empresa às modificações ocorridas na sua envolvente.
A inovação é, assim, mais do que um conjunto de pequenas mudanças. Ela não será necessariamente criativa; poderá mais não ser do que uma inovação imitativa, adaptativa, incremental, ou seja, uma adaptação com êxito de algo já existente a um novo contexto. Inovar é, antes de mais, aproveitar uma oportunidade de mercado, antecipando a concorrência. Evidenciamos, assim, a necessidade que impende à organização de gerar vantagem competitiva de forma a aproveitar as oportunidades e ter capacidade de resposta atempada e eficaz a movimentos competitivos da concorrência. Portanto, embora a inovação possa simplesmente acontecer, de uma forma mais ou menos frequente, surge cada vez mais a necessidade de a posicionar no centro da estratégia empresarial.
É aqui que importa introduzir o conceito de valor acrescentado, enquanto dimensão intimamente associada à noção de inovação. De facto, uma inovação bem sucedida no mercado é origem da criação de valor, o que implica a capacidade de tirar proveito de cadeias produtivas flexíveis e cada vez mais organizadas a nível transnacional. Para que seja possível uma eficiente gestão da cadeia de valor, é necessário que o empreendedor possua a capacidade de maximizar e reter o valor acrescentado produzido. Fala-se, assim, em gestão do conhecimento porquanto nos referimos à actividade orientada para a estimulação e criação de condições de sucesso favoráveis à emergência de inovações bem sucedidas no mercado.
Contudo, o garante de inovação e progresso técnico depende ainda de um conjunto de factores de competitividade estrutural, que tornam o empresário e o mercado mais ou menos capazes de modernização e eficiência. Estamos, portanto, perante um leque alargado de condicionantes estruturais, de ordem social, institucional, científica e tecnológica, como são o sistema de ensino e formação, os níveis de Investigação & Desenvolvimento e o próprio Estado. Refira-se, inevitavelmente, o caso concreto da economia portuguesa, em que, para além da ausência de valor acrescentado dos produtos, existe todo um conjunto de problemas de índole estrutural que interferem directamente na competitividade, sobre os quais nos debruçaremos em particular no momento seguinte desta reflexão.
Até para a semana. Directo à Questão.
publicado por Ricardo às 15:44
link | favorito
Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

.mais sobre mim

.pesquisar

.Julho 2010

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

.posts recentes

. A crise de Portugal vista...

. Como Joana Vasconcelos pu...

. Sobre o Impacto da Mexida...

. Sobre o Impacto da Mexida...

. Algumas Reflexões Sobre o...

. Algumas Reflexões Sobre o...

. Algumas Reflexões Sobre o...

. Os Cinco Anos Sobre a Abe...

. D. Pedro I – Entre a lend...

. A Criança com Epilepsia

.arquivos

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

.links

blogs SAPO

.subscrever feeds